THE EYE HAS TO TRAVEL

Ela inventou a profissão “editora de moda” e, durante os 26 anos em que esteve à frente da Haper´s Bazaar (1936 a 1962), e mais oito comandando a Vogue (1963 a 1971), foi capaz de traduzir o espírito do seu tempo através da moda.

Seu nome é: Diana Vreeland.

Foto: reproduçao.

Parisiense, Diana nasceu na virada do século XX, em 1903, e viveu tempo bastante para ser considerada uma das principais promotoras e colaboradoras de revirões importantes no pensamento da sociedade por meio das páginas da sua revista.

Hapers Bazaar´s nos tempos de Vreeland e Avedon.

Num remix cotidiano de moda, arte, cultura pop, fotografia, música, Diana dedicava quantas páginas fossem necessárias para passar o seu recado. A Harper´s Bazaar era a sua “cara” e enquanto ela foi a editora dessa revista, a Vogue era considerada apenas mais uma publicação irrelevante de socialites. O que ela fez para a moda não é coisa pouca.

“Carine Roitfield e Emmanuelle Alt são versões diluidas de Diana Vreeland” (e eu, Raquel, acrescentaria Franca Sozzani à lista) – diz Liza Immordino Vreeland ao National Post. Lisa é consultora de moda e design e é casada com o neto de Diana. Coincidência ou não, o fato é que a moça reuniu todo o legado da editora em um livro imperdível, lançado em setembro de 2011, cujo nome é “Diana Vreeland – The eye has to travel”.

Na livraria do Georges Pompidou, em Paris, já tinha em outubro de 2011!

Além do livro, um documentário homônimo foi lançado durante o Festival de Veneza desse ano. Uma reunião de imagens incríveis, resultado de sua parceria com fotógrafos como Richard Avedon estão presentes nas obras audivisual e literária.

Enquanto não é possível assistir ao documentário a dica é buscar coisas sobre a sua vida naquela fonte inesgotável de conteúdo chamada youtube. Separei esse trecho de entrevista, excelente por sinal, onde ela fala, dentre outras coisas, sobre os principais momentos da história da moda. Ela destaca a década de 1920, que é trend alert atual e bingo, que os produtores de moda e confeccionistas vão passar a se inspirar a partir do próximo verão 2012 europeu. E porque Diana cita essa época?

Nas mãos de Vreeland, tudo era possível: “Se algo não existe na moda, invente”. Aliás, suas frases geniais, impagáveis, inspiradoras, são verdadeiras “pérolas fashion” que nunca saem de moda. Assim como essa de cima, tem umas outras ótimas, que eu adoro:

Há tempos eu venho analisando a verdadeira relevância de Anna Wintour no cenário da moda e uma coisa é indiscutível: sua mão para o business é realmente fantástica. No mais, o marketing e a mídia trataram de dar um empurrãozinho e virou lugar comum falar sobre a “diaba” como se ela fosse única. E nós deveriamos abrir mais o nosso campo de visão, sempre.

Rompendo a superfície descobrimos mais gente importante no mercado editorial do circuitão mundial da Vogue, claro, assim como Roitifield, Alt e Franca Sozzani – eu gosto sempre de citá-las – que são editoras que pensam fora da caixa. Suas publicações são controversas, provocativas, questionadoras em seu conteúdo e na sua linguagem. Roitifield foi demitida numa dessas. Vreeland também.

“The eye has to travel” – Diana disse. A gente tem mesmo de esfregar os olhos e abrir de verdade (a expressão em inglês “wide open” traduz bem) para produzir coisa legal em moda. Em tudo. Nossos olhos só são capazes de viajar livres mesmo quando fazemos coisas com paixão, como se fossem ou quando realmente são – tão só – para nós mesmos.

Diana Vreeland, linda, pelas lentes de Richard Avedon
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