A NOVA ESTÉTICA

Alexandre Herchcovitch SS2011 em gif de REED+RADER – clique na imagem para ativar.

Eu tenho medo do futuro.

A nostalgia é um sentimento bom.

Junte as duas frases, formadas por sensações diametralmente opostas, e você vai entender – pelo menos em partes – porque a moda ganha, a cada temporada, novos adeptos do estilo da vovó. De criadores a consumidores.

Mas não é mesmo uma delícia esse visual vintage, de cores empoeiradas e estética comportadinha? É sim e somos todos – enquanto filhos desse sistema chamado moda – frutos da vontade de reviver, randomicamente, aquele passado analógico. Como eu disse, a tal sensação é mesmo muito boa. Mais ainda, se assinada por Prada, Marc Jacobs, etc et al.*

Na contramão, quem perdeu o tal medo e foi trabalhar um novo ponto de vista, uma nova forma de ver o mundo – e nesse discurso não só a moda está incluída –  experimenta, agora, novos resultados em forma de estética: e longe de ser formada, apenas, por obejtos pixelados ou estampas 3D.

Vai ser bom viver para ver explodir DE VERDADE uma nova tendência. Depois de tantos anos de colagem do passado no presente para fazer o futuro, “see the world like digital devices” me parece algo, de fato, fresh e muito interessante.**

Você pode até me dizer que isso não seria, cronologicamente, tão novo assim – ok, desde os anos 80, aqui e ali, aparecem visuais como se as máquinas, elas mesmas, fossem as autoras. E muitas vezes são co-autoras mesmo. No entanto, até agora não configurariam um cenário concreto, impulsionando um movimento…

Vamos ouvir muito falar dessa tal NOVA ESTÉTICA, que foi tema de um painel realizado no festival SXSW, em Austin, Texas, esse ano. James Bridle, mestre em Ciências da Computação, com especialização em Inteligência Artificial, foi o “codificador” desse cenário, baseando-se na análise de diversos campos.

James Bridle: http://booktwo.org/

Bridle conclui que essa nova estética não é algo que se possa fazer, ou ser definida exatamente como um estilo. Mas o resultado de um pensamento modificado por essa aproximação do ser humano com os dispositivos digitais.

Eu diria, concordando com Bridle, que a Nova Estética vai GERAR a tendência, assim que um movimento em massa – principalmente através da moda – refletir esses visuais made from technologic thoughts.

Glória Coelho SS2012-13 e Continuum Dress. Binários e processing, respectivamente – o digital no mundo físico. Imagens reprodução.

Alguns estilistas como Gareth Pugh, Iris Van Herpen, fashion imagemakers” como Reed+Rader, ou mesmo aqueles que ainda insistem em utilizar apenas o viés dos pixels impressos, como a Preen RTW SS 2012, já estão por aí fazendo o o digital eclodir no mundo físico. Tem muita gente ainda nessa lista e, por isso, a aposta é que vire tendência mesmo, enfim.

Glitch Textiles, de Phillip Stearns – Erro do vídeo vira o código da trama do tecido. A máquina fala.

Arte generativa, glitch art, processing… Os códigos na moda, literalmente, vejam só.

*Simplesmente sou fã dos estilistas citados, mas vejo – apesar da genialidade de ambos – uma certa insistência em reinterpretar o passado.
** Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço: adoro as séries “de época”, fotografias e patterns com estética vintage. Só que eu estou a fim de ver coisas novas na moda. Revirão mesmo.
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