MÉTIERS D’ART – PARA BOM OBSERVADOR, UM DESFILE BASTA.

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Há praticamente dez anos a maison Chanel escolheu realizar um desfile fora do calendário tradicional das temporadas AW, SS, HC e ResortMétiers D’art, como foi batizado, celebra a parceria entre a maison e seus mais finos artesãos.

São onze ateliês que produzem das rendas aos botões em prata para as coleções dirigidas por Lagerfeld. A edição desse ano – depois de se inspirar em Edimburgo, Bombay e Shangai, por exemplo –  foi realizada em Dallas, nos EUA. E nos faz pensar se a bússola da moda vai apontar para os índios americanos e as lendas do velho oeste. O kaiser sempre dá a dica do que vai acontecer num futuro próximo, já parou para observar?

Edimburgo, Bombay e agora Dallas.

Bom, o site vogue.fr destrinchou a história por traz dessa relação da Chanel com os ateliês Lesage, Desrues, Lemarié, Michel, Massaro e outras casas que fecham essa rede de alto artesanato com a label.

Histórico bacana e trabalho que deve ser sempre lembrado, pois carrega a arte de anônimos tão importantes quanto a marca que os representa. As informações que seguem foram traduzidas livremente do inglês para esse blog. Os créditos das imagens são igualmente do site vogue.fr.

DESRUES

(c)Reprodução vogue.fr
©Reprodução vogue.fr

Desde 1936 na produção de joias finas e acessórios, em 1965 George Desrues criou seu primeiro lote de botões para Gabrielle Chanel e, nos anos seguintes, desenvolveu diversas joias para serem presenteadas por ela ao Duque de Westminster. Em 1985 a Desrues passa a pertencer à maison propriamente dita e, desde então, Karl Lagerfeld e aproximadamente 100 empregados continuam os trabalhos, mantendo o alto nível de seu artesanato. O resultado, segundo a Vogue francesa, é uma produção diária de 4 mil botões e oito coleções anuais de joalheria, composta por até cem peças.

LEMARIÉ

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©Reprodução vogue.fr

Foi fundada durante a Belle Epoque, quando a moda era levar penas e plumas nos chapéus. Nos anos 50 passou a trabalhar com costureiros como Balenciaga, Nina Ricci, Dior e também Gabrielle Chanel, oferecendo toda a variedade de penas possíveis, de pavões a cisnes. Mais tarde insere flores ao seu portifólio, transformando organzas, tules e veludos em rosas, orquídeas e dálias nos mais diversos tamanhos. Foi quando Coco encomendou à casa a primeira camélia com 16 pétalas, que se tornaria um dos ícones da sua maison. A flor é reinventada a cada coleção pelos artesãos da Lemariè, que se tornou parceira da Chanel Métiers D’Art, em 1996.

MASSARO

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©Reprodução vogue.fr

O “bootmaker” – adoro que exista essa especificidade dentro do universo calçadista – Massaro ficou conhecido por atender ícones fashion do calibre de Marlene Dietrich, Barbara Hutton, Liz Taylor e Romy Schneider, com portas abertas desde 1894. Em 1957, Raymond Massaro, neto do fundador da marca, criou o primeiro sapato bege Chanel com ponteira preta – que se tornaria um clássico da marca. Enquanto, na época, a moda era usar stilettos vertiginosos, Massaro e Chanel quebraram esse padrão oferecendo um calçado de couro macio e com apenas 6 centímetros de altura, oferecendo a quem os vestia uma elegância confortável, com mais liberdade de movimento. Em 2002 Massaro juntou-se à família Métiers D’Art da Chanel.

LESAGE

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©Reprodução vogue.fr

Em 1924 a família Lesage assumiu o estúdio de bordados Michonet, que atendia Madeleine Vionnet, Charles Frederic Worth, Jeanne Paquin e outros grandes nomes da época. Lesage ganhou logo boa fama, como nome por trás dos motivos avant-garde da designer Elsa Schiaparelli, incluindo bordados com temas circenses, signos do zodíaco e conchas. Durante os anos 1950, Francois Lesage e o seu estúdio criaram para Pierre Balmain, Cristobal Balenciaga, Christian Dior, Hubert de Givenchy, Yves Saint Laurent e Christian Lacroix. Mais de 60 mil (!) bordados constam em seus arquivos, com milhares de motivos e trabalhos utilizando diamantes, pedras preciosas ou miçangas. Em 1992, Lesage fundou sua própria escola de bordados e uniu-se à casa Chanel em 2002, para preservar e continuar sua expertise no trabalho manual.

GOOSSENS

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©Reprodução vogue.fr

Robert Goossens conheceu Gabrielle Chanel em 1953, apenas três anos depois do nascimento da joalheria e ourivesaria que carregaria o seu sobrenome. Impressionada com o trabalho artesanal inspirado no mundo antigo como Bizâncio e Egito, a estilista imediatamente confiou à Goossens o papel de fornecedor oficial da Chanel. A partir de então, Goossens criou peças em prata e bronze banhado à ouro, utilizando pedras semi-preciosas como quartz e as tão cultuadas pérolas. A joalheria configura um dos 11 ateliês da Chanel Métiers d’Art desde 2005.

MAISON MICHEL

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©Reprodução vogue.fr

Fundada por August Michel em 1936, Maison Michel fez realmente sucesso a partir dos anos 1970, quando Pierre e Claudine Debard assumiram a criação dos chapéus e outros acessórios para cabelo do ateliê. Eles então criaram uma nova geração de chapeleiros que trabalhariam para Dior, Givenchy, Yves Saint Laurent e, mais tarde, para Karl Lagerfeld, já na Chanel. Em 1997 a Maison Michel tornou-se a primeira subsidiária da Métiers D’Art, desenvolvendo os detalhes de cada coleção da marca. O acessório de cabelo em forma de pistola, desfilado em Dallas, leva a assinatura de Laetitia Crahay, à frente da Michel desde 2006.

GUILLET

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©Reprodução vogue.fr

Guillet é casa master em corsage – esses buquês usados no pulso em cerimônias como casamentos ou bailes de formatura -, desde 1896. Mas produz também tudo o que é relacionado a flores para acessórios de cabelo, como tiaras ou coroas, a Guillet assina para grandes casas de moda. Seda, organza, renda e outros materiais são utilizados na produção das pétalas das flores que se tornam verdadeiras joias, guardando praticamente a mesma textura das vegetais. Desde 2006 está na Métiers d’Art.

MONTEX

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©Reprodução vogue.fr

Especialista em bordado tambour ou Lunéville – no qual uma agulha é usada para costurar as miçangas, paetês e outros materiais numa única cadeia de pontos, depois do tecido ter sido marcado com furos por uma máquina -, a Montex foi fundada em 1939. Com Karl por muitos anos, o ateliê também costura e borda para outras maisons além da Chanel. Atualmente, a Montex é comandada pela bordadeira emérita Annie Trussart.

CAUSSE

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©Reprodução vogue.fr

Fundada na capital francesa das luvas de luxo, Millau, em 1892, Causse vem criando verdadeiras obras de arte para aquecer as mãos desde então. Suas luvas decoram e complementam os looks, sendo produzidas com o mais fino couro e pele de animais raros – fa attenzione, PETA. Utilizam ainda pedras preciosas e rendas como acabamento e suas criações figuraram diversas coleções da Chanel antes da empresa tornar membro da Métiers d’Art em 2012.

BARRIE

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©Reprodução vogue.fr

No dia 4 de dezembro de 2012, o desfile Métiers D’Art aconteceu em Edinburgo, no castelo de Linlithgow, local onde nasceu a rainha Mary da Escócia (olha o tartan que estamos usando hoje saindo daí). Bom, tal desfile foi uma homenagem ao ateliê de tricô também escocês Barrie, especializado em cashmere. Fundado há mais de 140 anos, produzia inicialmente sweaters para o exército britânico durante as duas grandes guerras, antes de se tornar um dos fornecedores favoritos das maiores casas de moda europeias nos anos 50 e 60.

LOGNON

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©Reprodução vogue.fr

A Lognon especializou-se na fabricação de plissados desde 1945, uma técnica que combina papelão e vapor para criar tais dobraduras à perfeição nos tecidos. Dirigida por Gerard Lognon por 68 anos, a casa francesa juntou-se à Chanel Métiers d’Art em 2013, passo natural para ambas, que já trabalhavam juntas por vários anos.

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