FUTUROLOGIA 1

Me lembro do primeiro contato que tive com a impressão digital, em 2008. Soube do trabalho da gráfica Alfa, no Rio de Janeiro, que fazia impressões em tecidos para a estilista também carioca Alessa, há algum tempo antes disso. Vi num anúncio de página dupla numa revista, com todos os tipos de superfícies que essa empresa poderia imprimir. Era fantástica aquela visão. Anunciava muita coisa que viria, principalmente para a moda.

De lá para cá, muitos estilistas embarcaram nessa que foi uma das primeiras revoluções fashion nesses treze anos de século XXI. E foi coisa importante – impressão de tecidos on-demand era apenas o ápice do iceberg dos “on-demands” que a vida contemporânea produziria. E quatro anos depois, voilá: em 2013 explodiu para o mainstream as impressões de objetos em 3D. Ao invés de se imprimir nas superfícies porque não imprimirmos as próprias superfícies?

Bons exemplos não faltam, da criação – Nervous System – à impressão – Shapeways. E o pessoal da moda não fala sobre outra coisa. Assisti a um vídeo bacaninha dias desses (clique em cima da imagem para ver):

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FUTURE FASHION, produzido pela turma da Mag I-D, explora como a tecnologia transformou a indústria da moda. Em todos os aspectos.

Todas essas bolas foram cantadas na primeira revista para qual colaboro em Juiz de Fora. “Moda e Tecnologia” foi o mote da edição inaugural da Revista F. Cultura de Moda (antiga Duetto Fashion). Falamos sobre tudo isso, inclusive impressão 3D – ainda que de forma seminal.

CAPA8
A primeira de uma série de muitas edições. Já vamos para a 12º.

E esse crossover desde sempre importante – das primeiras máquinas de costura aos zípers, passando pelos tecidos sintéticos -, nos faz refletir que as tecnologias de cada tempo são vitais para a moda seguir adiante. Geralmente não são desenvolvidas com o objetivo de serem vestidas, verdade, mas é interessante observar o trabalho dos pioneiros quem produzem esse link do pensamento futuro aplicado à vida diária das roupas.

Quando pensamos no futuro da moda imaginamos vestimentas meio robóticas, que nos transformariam um pouco em ciborgues, certo? Hussein Chalayan desenvolveu várias ideias assim desde que resolveu aplicar sistemas inteligentes como o ARDUÍNO em suas peças de roupa. Encantador. Mas muitos designers já estão pensando também em outras formas “soft” de se cruzar moda e tecnologia de ponta.

E temos visto maravilhas em novas texturas de tecidos. Muitas vezes abraçando o concept tão amplo da sustentabilidade. Dez anos à frente de nós são bem promissores e fiquei imaginando se os cursos de moda mais locais no Brasil dessem asas à imaginação dessa turma que está chegando por aí. E suporte, claro.

Acabando de vez com essa ilusão de que moda e glamour devam sempre andar de mãos dadas, pois não têm.

Em tempo: em minhas pesquisas encontrei essa sequência da década de 60 do cruzamento entre moda e prints digitais. Achei maravilhoso alguém ter pensado sobre essa possibilidade já naquela época e depois um mundo inteiro ter abandonado a ideia. Pense em Mary Katrantzou ou Alexander McQueen em 2011 para novas possibilidades no assunto elevadas à milésima potência criativa. 

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