REEDUCAÇÃO ALIMENTAR NA MODA E A NOVA ECONOMIA

Uma das coisas que mais me dispersam na web são os e-commerces, não sei vocês. Recebo toneladas de newsletters com tantas novidades e anúncios de descontos, que fica difícil não querer dar uma espiada. É tipo folheto das Lojas Americanas, sabem? Tem como não folhear? Parabéns, turma do marketing! A estratégia dá certo. Mas em 99% das vezes não compro nada, só passo o olho mesmo… #pobresofre, hunf.

Apesar desse afeto que as mercadorias ainda me despertam, o desejo, minha relação com o consumo – de moda, principalmente – mudou muito, de uns anos para cá. Basicamente só compro se estiver precisando de fato e passo tranquila (é verdade mesmo) quase um ano sem comprar nada entre roupas, sapatos e acessórios. Dieta fashion, sou adepta desse sucesso há tempos.

Essa reeducação alimentar da moda me fez, ainda, não adquirir nada que não esteja em liquidação. Ninguém precisa de nada assim, de tão imediato, que não possa esperar até ter o seu preço reduzido a um valor de compra justo. Mas essas coisas só se aprendem com o tempo ou com a necessidade.

E justo para quem? Muitos poderão apontar, os empresários principalmente. O caso é que muitas vezes as mercadorias são marcadas para que as empresas obtenham lucros exorbitantes, que vão além das despesas com matéria prima, investimentos, impostos, funcionários, o próprio sustento do dono da empresa e etc. Todo mundo já está careca de saber disso.

Só que a realidade dos outlets e bazares está aí, minha gente. Liquidações acontecendo cada vez mais cedo, para ver se calha de preencher logo o hiato da falta de vendas do começo da temporada. Lançamentos de coleções não dão mais o Ibope de antigamente, independente da marca. Já os bazares…

Cada vez mais concorridos. Brechós, então, nada mais cool. Fazer upcycling de peças é a coisa mais bacana do momento, estilistas estão, inclusive, se dedicando inteiramente a isso. Querem exemplos? Entrevistei Rafael Joaquim, um querido que comanda a TTrappo, no Rio, e que faz exatamente isso. Confira aqui: http://issuu.com/03552/docs/revista_f_-_ed_14_web/62

Olha, esse post não é cagação de regra, muito pelo contrário, ok? Cada um faz com o seu dinheiro o que bem entender. Eu abri o texto com esses exemplos pois estou enxergando novos tempos para o capitalismo, por aí. E acho que muita gente, também. É um sistema econômico falido, feito para configurar momentos de crises agudas mesmo, de tempos em tempos, como essa que estamos vivendo. Mas isso também não é novidade, para quem sabe somar 2+2.

COMMONS COLABORATIVO

Li um artigo de Michele Fossi na Vogue Italia que versava sobre um novo paradigma baseado na troca, ao invés do mercado. Se tem uma coluna bacana nessa revista é aquela “People are Talking About” – fica a dica. Ela faz menção ao economista Jeremy Rifkin, conselheiro de Barack Obama e Angela Merkel, e sua visão sobre o futuro da economia mundial. Interessante, intrigante e plausível.

A internet das coisas, fruto da integração entre a internet da energia (smart grid) e da internet da logística (big data), possibilitará a produção e o escambo de energia renovável. Com sensores inteligentes dentro de cada objeto, ela configurará um sistema nervoso esperto, que, gradualmente, levará o mundo a uma economia com desperdício zero.

É o eclipse do capitalismo, segundo Rifkin. Em suas próprias palavras, na coluna de Fossi, “o capitalismo não será mais o sistema dominante. Já estamos assistindo ao nascimento de um novo paradigma econômico, o “commons colaborativo”, caracterizado por uma economia de trocas, mais do que de compra e venda”, afirma.

Um novo app de empreendedoras juiz-foranas, que se baseia em trocas, pensa exatamente assim. Você pode subir as imagens dos produtos que deseja trocar e encontrar, ali mesmo, algo que lhe apeteça. O app se chama Trocou! e por enquanto está disponível apenas para Android.

Ainda na terrinha (sou de Juiz de Fora, como sabem), Do Meu Closet Para o Seu funciona com compra e venda de vestidos de festa usados, mas você pode deixar o seu ali também, na pista para negócio, amortizando o valor da peça que for adquirir no espaço. Vai e volta.

Então, voltando a Rifkin, é a terceira revolução industrial, segundo ele, que está aí. A propriedade individual de bens está sendo substituída por serviços de compartilhamento, baseados em acesso pago por uma assinatura. Pense no modelo Spotify ou no recém-lançado Apple Music. E isso serve para a moda e o que mais vier por aí, com inteligência embutida.

Seu raciocínio lindo é o seguinte: “A lógica do mercado obriga os empreendedores a procurarem por tecnologias cada vez mais eficientes para abaterem os custos de produção. Mas, quando a eficiência do processo produtivo é tal que consegue atingir uma situação de custo produtivo perto de zero, ou seja, quando o custo para se produzir uma unidade extra de um produto, uma vez cobertos os custos fixos, é praticamente nulo, ele em si deixa de ser, paradoxalmente, uma mercadoria – já que replicá-lo não custa nada ou quase nada. Assim, essa lógica inicia espontaneamente a configurar um processo de troca e a circular gratuitamente em uma rede de “prosumers”, consumidores e produtores ao mesmo tempo.”

Ansios@s com o que está por vir? Eu sim. E adoro!

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