ESTILISTAS USAM CANETA 3D EM WEARABLE

Na vida, às vezes é preciso olhar duas vezes para poder enxergar.

Em colaboração com a  3Doodler, empresa produtora da caneta que “desenha em 3D”, o estúdio de moda Shigo, baseado em Hong Kong, desenvolveu um projeto que encontra o universo do 3D em tecido plano, numa forma diferente de se usar o gadget que há tempos circula pelas timelines web afora.

Ou vai dizer que você também não compartilhou o vídeo da tal caneta 3D, quando viu pela primeira vez?

As ferramentas estão no mundo, assim como Shigo pensou numa alternativa para utilizar o gadget, existem outras por aí para transformar nossos projetos em propostas muito mais interessantes.

Blue Steel and Diamons & Pearls é um vestido que usa como base um print comum em tecido como molde para a caneta 3Doodler entrar em ação – o estúdio Shigo escolheu uma pattern baseada em conchas para dar vida à wearable. O resultado é quase uma “armadura” em renda 3D, com fechamento lateral com duas fivelas, facilitando a vestimenta da peça.

Imagens ©Reprodução.

Shigo remixa peças urbanas com tecnologias contemporâneas, renovando a estética tradicional das peças do dia a dia. Quem assina pela marca são os estilistas David Chang e Kiwib Wong.

A 3Doodler usa um filamento flexível semelhante aos utilizados pelas impressoras 3D e atualmente existem três versões bastante acessíveis da caneta: uma para crianças, uma standard e uma profissional – para entrar já no estojo de desenho 4.0 de estilistas e artistas.

83ª theMICAM: EM MILÃO, O UNIVERSO DOS CALÇADOS FAZ A ECONOMIA ITALIANA GIRAR

Entrada theMicam. ©Divulgação.

A Mostra Internacional de Calçados theMicam, que acontece semestralmente em Milão, encerrou suas atividades no último dia 15 com saldo positivo: um aumento de 5% de visitantes com relação a fevereiro de 2016. Nessa edição, que apresentou a coleção outono-inverno 17/18, estiveram presentes 26.505 pessoas provenientes do exterior e 18.105 italianos visitando a estrutura da feira. Durante quatro dias o evento ocupou nada menos que sete pavilhões do espaço de exposições Fiera Milano (Rho).

Num universo de 1405 expositores, dos quais 49 eram brasileiros – entre nomes como Dumond e Capodarte, Bottero, Cristofoli, Ipanema, etc. (lista completa aqui) – , 795 foram italianos e 610 estrangeiros, movimentando um volume de 14 milhões de euros. A novidade da edição ficou por conta da presença de nomes importantes do segmento luxo, como Tod’s, Gucci, Prada, Ferragamo e Fendi, endossando a importância do Made in Italy na produção de calçados. Allure garantido no evento promovido pela Assocalzaturifici, Associação Calçadista Italiana, presidida por Annarita Pilotti.

Antes da feira, a pergunta que pairava no ar para quem observa, estuda e principalmente escuta pelo menos um pouco do que se passa no universo dos calçados italianos, é se um evento do porte e gênero do theMicam ainda faz sentido em 2017, ou mesmo num futuro próximo. Posto que já não seria mais necessária hoje em dia, com a facilidade do mundo em rede, a realização de um showroom presencial para se estabelecer negócios entre buyers do mundo todo. Uma possível resposta? Continue lendo o post.

UM OLHAR PESSOAL

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Artesão Andrea Gatti demonstra no stand da marca seu savoir faire, calçados pintados a mão para a Giancarlo Corti. ©Raquel Gaudard.

Passeando pelos corredores espaçosos da theMicam na segunda-feira 13, observei algumas coisas interessantes. A primeira delas é que não é permitido fotografar o evento. Isso mesmo, num tempo onde smartphones operam com resolução mais poderosa que muitas câmeras fotográficas profissionais, a preocupação com a cópia de algumas das marcas presentes é ao mesmo tempo anacrônica e pueril. A ponto de muitos dos stands serem a portas fechadas. O que será de tão misterioso e jamais visto teria ali dentro desses boxes, que ainda não tenha sido realizado por alguém?

Pode ser que a proibição iniba os cliques mais indiscretos, realmente. Mas o protecionismo é uma faca de dois gumes, nesse caso, perde-se em publicidade espontânea nos dias do evento. Outra análise – vale dizer, superficial, já que uma tarde é muito pouco para visitar a feira – é de que tudo o que estava exposto era muito similar ao que aconteceu no inverno 16/17. Ainda, tudo muito influenciado pelo fenômeno Alessandro Michele na casa Gucci: calçados em veludo, bordados, tecidos brocados e muito pelo, natural e artificial, além de plataformas altíssimas, vão acontecer entre os modelos que as fashionistas vão querer calçar na próxima temporada. Mas eu já vi esse filme rolando esse ano mesmo, por aqui. Quem copia quem, no final das contas?

MIPEL

Evento paralelo a theMicam era a Mipel, 100% voltada para calçados e acessórios em couro. Com um ambiente muito criativo, subdividido em temas e dècors especiais, aqui sim era possível fotografar: ao contrário dos adesivos proibitivos da área de stands na theMicam, cartazes sinalizavam a presença de wi-fi e a senha, free para todos.

SEMINÁRIOS

Vanessa Belleau fala sobre consumer lifestyle e trends para a WGSN na theMicam. ©Raquel Gaudard.

Um dos pontos altos do evento eram os seminários promovidos pela WGSN, autoridade em previsão de tendências de comportamento e consumo. Para conhecer e seguir Vanessa Belleau, facilitadora da palestra Consumer Lifestyles Trends, vai lá: @vanessa_belleau_wgsn.

Vale observar que trata-se de um seminário voltado para o mainstream, já que as previsões mesmo, aquelas que apontam para dois, três anos em diante, derivam trend reports a peso de ouro, que apenas grandes marcas têm acesso mediante pagamento.

Vanessa falou dentre muitas coisas, sobre cinco palavras-chave, das quais:

  • pessoas
  • produtos
  • propósito
  • progresso
  • paz

Com relação a pessoas, o approach do apelo do espírito jovem, do youth mode, que as marcas já estão abordando há uns dois anos pelo menos, segue como via de regra. Não importa a idade, importa o free spirit. E haja moletom, jeans rasgados e sneakers nas araras e prateleiras mundo afora.

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©Raquel Gaudard.

O approach das belezas individuais das pessoas também foi abordado, marcas que valorizarem a diversidade dos corpos e gêneros, da beleza das imperfeições serão preferidas pelos consumidores. Já era tempo.

Com relação aos produtos, os seus valores foram redefinidos através de momentos. Através das experiências que eles podem entregar aos usuários. Portanto, mais importante é o caminho do produto até o ato da compra, como foi produzido, quem ele envolveu. E por aqui, haja storytelling.

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©Raquel Gaudard.

O propóstito também é importante. Quem se lembra do nome do novo livro do publicitário André Carvalhal? Moda com Propósito. Pois bem, a tal da história por trás do produto e da marca é importante e vital para a sobrevivência, principalmente se estivermos falando de moda.

A esse ponto a rede de Vanessa é então lançada para a sustentabilidade e redução de desperdício: e não é que até as fast fashions estão preocupadas com o tema? A H&M, por exemplo, está fazendo upciclyng de peças usadas, convidando seus consumidores para a action, chamando-os para fazer parte do processo.

©Raquel Gaudard.

Sobre as novas tecnologias, de revistas com conteúdo gerado por inteligência artificial a como vai ser o novo modo como vamos nos conectar. Mais social e menos selfie, disse Vanessa. Por isso, as lojas físicas vão ser redefinidas como um hub onde pessoas se encontram mais para entreter-se do que para o consumo do produto em si.

Links mentais que fiz quando ela falou sobre o assunto: Grande Hotel Ronaldo Fraga e o futuro modelo de loja da Apple.

Ou mesmo a própria razão de ser do evento theMicam em 2017 e no futuro, sobre o qual falava antes. A resposta poderia ser, talvez, o evento tornar-se um verdadeiro hub de lifestyle  – onde atividades periféricas ao business dos stands, como os seminários, desfiles, barber shops e muitos outros happenings que eles já promovem atualmente, sejam ampliados e sejam a ânima do evento, a sua coluna vertebral.

Barber shop na theMicam. ©Divulgação.

STANDS: ITS E CÂMARA DE COMÉRCIO DE FERMO

©Raquel Gaudard.

Importante também registrar a presença do Instituto Técnico Superior de Fermo e da Câmara de Comércio, que esse ano uniram forças para fazer valer a importância da formação para fomentar o setor produtivo dos calçados da região Marche.

Trata-se de um percurso formativo de muita qualidade, sou testemunha ocular, onde os futuros profissionais são munidos de conhecimentos consolidados de outros profissionais já consolidados no mercado e com anos de técnica e do melhor do saber fazer “Made in Italy”.

A aliança da tradição do handmade com as novas tecnologias foi apresentado através da presença de alunos do curso – meus colegas! – todos os dias no stand, ao lado de uma impressora 3D ativa e printando pequenos modelos criados durante as aulas, uma beleza!

O selo de que, por aqui, o futuro profissional dos produtores de calçados também está sendo forjado, da melhor maneira possível.

Vida longa a theMicam e às iniciativas que favorecem o aprendizado. Milão, nos vemos em setembro.

SPEEDFACTORY: ADIDAS ACELERA NA LINHA DE FRENTE DOS SNEAKERS

Em Ansbach, na Bavária, a fábrica 4.0 de calçados também está sendo desenhada.

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“O futuro da manufatura pode ser sobre materiais diferentes ou produzir características e funções que nós não consideramos ainda. Mas também pode ser sobre novas tecnologias de produção e novas formas de engajar nossos consumidores e suas necessidades. Nos colocamos novas perguntas a todo momento, por exemplo, como ser mais rápidos e mais flexíveis, ou que tipo de legado ambiental podemos deixar?” Gerd Manz, Diretor de Inovação na Adidas.

O futuro da manufatura para o Grupo Adidas tem nome: Speedfactory. A empresa já aventa há dois anos a construção de uma fábrica que faz parte do programa nacional alemão “Autonomia para a Indústria 4.0”, contribuindo para realizar estratégias ligadas à alta tecnologia até 2020, com foco na nova era da produção em série de calçados.

Combinando as últimas novidades em tecnologia da informação e comunicação, produção industrial, materiais e produtos inovadores e disruptivos, com tecnologia e eficiência energética e sustentabilidade, a Speedfactory tem previsão para ter produção inaugurada ainda em 2017, em Ansbach, na Bavária.

Autonomia das máquinas através do cérebro humano

O objetivo da fábrica é impulsionar o desenvolvimento de sistemas autônomos de produção, estabelecendo a Alemanha como um líder industrial com tecnologias inovadoras baseadas na inteligência da rede. A Speedfactory é no fundo um projeto de pesquisa, cujos tópicos incluem logística de produção, tecnologias com base cognitiva, interação homem-máquina e aplicação industrial do 3D.

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A transformação da fábrica num ambiente configurado por robôs não quer dizer, numa visão mais ampla, que postos de trabalho serão suprimidos em função de tais máquinas. O operário (ser humano) do novo milênio não é mais especializado numa atividade específica, que será realmente executada dentro de pouco tempo apenas por robôs, de forma autônoma, como no caso da SpeedFactory. A solicitação será de um sujeito com conhecimento técnico e tecnológico voltado para a gestão dessas máquinas.

Briga das boas na Europa

No páreo, a Itália também se lança no jogo da indústria 4.0 e das novas tecnologias aplicadas ao Made in Italy, selo de ouro que endossa a tradição secular do trabalho artesanal, agora, com uma linha de frente que envolve ações desde a escola, com a formação de novo atores com background tecnológico para atuar nesse novo setor que começa finalmente a deslanchar. Na terra do Arduino, além do governo, pequenos, grandes empresários e artesãos reconhecem agora a importância de se introduzir o pensamento digital no universo da maestria manual, apontando a economia para o futuro.

Futurecraft 3D

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Com um tipo de sola impressa em 3D, configurada com base nas necessidades de uso de cada tipo de pessoa, o Futurecraft 3D da Adidas é um tênis de corrida que melhora a perfomance do atleta. Trata-se de uma cópia em carbono flexível da sua pegada, combinando o contorno dos pés com pontos de pressão, resultado de uma base de dados pessoal e scannerização. Produzido sob medida para a experiência vivenciada nas corridas de cada dia.

A Adidas afirma que esse terreno da série Futurecraft é calcado em muitas pesquisas, materiais inovadores e processos não menos inovativos, casando qualidade do artesanato e prototipação com as tecnologias da nova manufatura. Fast, raw and real – é o mote da abordagem de design da marca.

Num esquema de parceria open source com a Materialise, especializada em impressão 3D, a série Futurecraft inova, ainda, com esse tipo de visão colaborativa também na criação. O suporte da impressão 3D é um dos alicerces da Speedfactory, que já assina como a porta de entrada para o futuro da produção de sneakers.

Inovação, inovação, inovação: mas com sustentabilidade.

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Arquivos de impressão em 3D de calçados projetados e pensados remotamente, que chegam através da internet e são baixados para serem produzidos num ambiente mais limpo e ecológico, com menos agentes contaminantes do ar, do solo e da água, além das próprias pessoas que trabalham no espaço.

Almejando o posto de linha de frente da inovação, o Grupo Adidas não mede esforços em pesquisa e melhorias sustentáveis. Uma delas é o DryDye, tecnologia que elimina a necessidade de água no processo de tingimento. Outro é o Manufacturing Excellence Programme, estratégia que envolve todos os tipos de projetos do Grupo, visando otimizar a engenharia e a manufatura dos seus produtos.

Além da parceria com a Materialise, a BASF também é outra cooperação de base tecnológica na empresa, com o objetivo de trazer à tona inovações destinadas ao futuro da manufatura dos calçados, mais especificamente no caso da Adidas, dos sneakers que vamos querer usar no futuro.

Que é hoje.

IRIS VAN HERPEN É A CARA DO FUTURO DA COUTURE PARISIENSE

Moda, novas tecnologias e artesanato na nova Couture 2017 desfilada em Paris, muito bem representada pela holandesa Iris Van Herpen.

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©Team Peter Stigter

O seleto reduto de estilistas e marcas que participam da Alta Costura parisiense já não é mais o mesmo. Desde de que abriram as portas para a exploração da moda e sua relação com as novas tecnologias digitais, a semana ganhou um tipo de atmosfera avant-garde sem precedentes, nesse espaço que sempre esteve em contato com a tradição secular do refinado artesanato dos ateliers de Paris.

Iris Van Herpen é o nome da holandesa que tomou de assalto a Couture da Cidade Luz. Se antes o luxuoso passado das maisons era feito de quilômetros de tecidos finamente rebordados e bem talhados, hoje também se fala sobre o futuro do universo binário aplicado aos tecidos e materiais cada dia mais inovadores, ao menos quando os modelos criados pela designer riscam a passarela.

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©Team Peter Stigert

“Between the Lines” é a nova coleção primavera-verão 2017 apresentada por Iris Van Herpen, no último dia 23 de janeiro. A imperfeição dos sistemas e estruturas dos mundos físicos e digitais era o tema. Nesse universo onde a estética do erro tem sido discutida sob os mais diversos vieses, da arte, à moda, à publicidade e não só, Iris construiu padrões para, em seguida, distorcê-los ou desconstruí-los.

Espaços lineares e contrastes evidentes são a base para os materiais e patterns desenvolvidos para as peças que compõem a coleção, desafiando o espectador a ser “parte do sistema”, mas sempre consciente das suas falhas.

©Team Peter Stigter

Esther Stocker

Uma das coisas que Iris Van Herpen faz questão de ratificar em cada temporada são as colaborações, contaminações e hubs que estabelece, com artistas e profissionais de diversos segmentos.

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“Unlimited Space”, de Esther Stocker. Galeria de Arte Moderna, Roudnice nad Labem, 2013. © Reprodução.

Em “Between the Lines” foi a vez de celebrar a parceria com a artista Esther Stocker, italiana de Silandro atualmente baseada em Berlim, com passagem pelas Academias de Arte e Design de Viena, Brera (Itália) e Pasadena, na Califórnia. Sua estética foi transportada para a cenografia da passarela, provocando uma distorção visual e profundidade de campo geométrica, subvertendo o espaço e estabelecendo uma conexão linear que, na verdade, não existe.

Estética do erro

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©Morgan O’Donovan& Molly SJ Lowe

As distorções criadas por glitches formam a base do processo de criação de “Between the Lines”, construindo um cenário que evidencia a beleza da imperfeição em silhuetas e texturas, numa paleta minimal, nada daquele RGB oitentista dos glitches de vídeos que costumamos ver por aí.

©Morgan O’Donovan & Molly SJ Lowe

Novas técnicas e tecnologias

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©Morgan O’Donovan & Molly SJ Lowe

Novas técnicas e tecnologias incluindo tecidos em poliuretano (PU) pintados à mão com modelagem 3D da estampa através de injeção, além de finos tecidos Mylar expansíveis, cortados a laser, estudo criado em colaboração com o arquiteto Phillip Beesley.

Calçados

Com solado em cobre, em design concretista, os sapatos do desfile foram exclusivamente desenvolvidos com conceito criado em parceria com a designer de calçados Carolin Holzhuber. 

Reparem no gap entre o salto e a plataforma: mais uma referência à falha do sistema ao qual estamos expostos. E se analisarmos a altura proposta para os pisantes, a considerar a altura da queda de quem não estiver consciente dos erros contidos na Matrix.

Mind the gap!

©Reprodução.

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Ficha técnica de Between the Lines:

Styling: Patti Wilson
Casting: Maida Boina
Make-up: M.A.C. Pro Team
Hair: Martin Cullen
Music: Salvador Breed
including track 'The Statue' by Machinedrum
Collaborating artist: Philip Beesley
Creative consultant: Jerry Stafford
Collaborating installation artist: Esther Stocker
Shoes in collaboration with Carolin Holzhuber
Press release: Eugene Rabkin & Jerry Stafford
Show direction: Kim Vos & Michelle den Hollander | Bdifferent
Show production: SixUp Paris | N6
Light design: Stefan Prokop & Pol van Veen | Jurlights
Video registration: Fabrice Daville | Premices Films
Backstage video: Ryan McDaniels
Frontstage photography: Team Peter Stigter
Backstage photography: Morgan O'Donovan & Molly SJ Lowe
Special Thanks to:
Fédération Française de la Couture
Warren Du Preez & Nick Thornton Jones
Illustration booklet | Alla Polozenko
Davy Hezemans | Spice PR
Debby van Geffen

UMA WEARABLE EMPODERADORA

E se a tecnologia e o design pudessem nos ajudar a continuar nos movimentando e participando física, social e emocionalmente dos acontecimentos mundo afora, mesmo depois dos 80, 90 anos?

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Com previsão de lançamento comercial em 2018, a Aura Powered Clothing™ foi anunciada como uma importante inovação em wearables, destinada às pessoas com idade avançada.

Até o momento, o design esteve a serviço desse público apenas com o intuito de tornar as atividades domésticas mais simples, resumindo-se aos cuidados dentro de casa. O objetivo da Superflex – uma start-up nascida no Robotics Lab do Stanford Research Institute, em Palo Alto -, ao criar a wearable Aura, era tornar mais fácil e possível a vida das pessoas idosas também ao ar livre, promovendo mais autonomia e liberdade de movimento.

Assim, em parceria com o Fuseproject – uma espécie de hub multidisciplinar com sede em NY e San Francisco, fundado por Yves Béhar -, foi possível desenvolver um design que “empoderasse” de certa forma esse público, habilitando-o novamente a conduzir atividades antes restritas pela limitação física, causada pela perda de massa muscular com o passar dos anos. O resultado é uma underwear desenvolvida para ser vestida debaixo das roupas comuns, fortalecendo a estrutura muscular dos usuários.

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No que consiste a tecnologia associada à Aura

Apresentada pela primeira vez na mostra New Old, de 12 a 17 de janeiro de 2017, no London Design Museum, a wearable Aura Powered Clothing™ explora o potencial do design aplicado à melhoria das experiências da nossa vida com idade avançada, atuando na dificuldade de movimento causado pela fraqueza muscular, perda de equilíbrio e coordenação.

Com motores, sensores e inteligência artificial incorporados a um tecido leve e flexível, a wearable oferece ao usuário suporte para o tronco, quadris e pernas. A peça reage ao movimento natural do corpo, acrescentando energia muscular para completar naturalmente a força de levantar-se, sentar-se e permanecer de pé.

A Aura Powered Clothing™ aumenta a habilidade de movimento do usuário e, segundo o Fuseproject, a tendência é melhorar cada vez mais a força muscular, o equilíbrio e a coordenação do indivíduo, já que a própria movimentação em si promove o desenvolvimento e manutenção dos músculos.

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Usando a biomimética, uma área da ciência que emula os padrões e estratégias da natureza, a configuração da peça é alinhada anatomicamente com a composição muscular de quem a usa. Com o máximo de conforto, a porção hardware de Aura é composta por motores, baterias e placas projetadas em pods hexagonais.

Esses pods são anexados a envelopes de tecido, que permite um movimento em três dimensões, possibilitando a expansão, contração e outros movimentos aleatórios do usuário. Isso ativa um sistema modular e escalável, que se adapta a diferentes necessidades musculares. Além disso, os pods podem ser removidos para a limpeza da peça.

Conforto, performance e estilo

Segundo os desenvolvedores, enquanto a tecnologia dentro dos pods é complexa, o tecido em si foi pensado para garantir funcionalidade à Aura. Para que ela consiga dar suporte aos movimentos do usuário, o tecido teria de ser forçosamente aderente e confortável ao mesmo tempo.

Por isso, na construção do próprio tecido existe uma faixa em V que se ajusta ao corpo e maximiza a ergonomia e suporte lombar. Enquanto o modelo apresentado na mostra New Old destaca a mecânica das conexões na peça – que em si já é super bonito – a wearable chegará ao mercado com esses elementos ainda mais integrados. O resultado, como afirmam os idealizadores, será uma peça ainda mais elegante, “escondendo” a tecnologia e a inteligência inerentes a ela. Garantindo o fator moda que pede o mercado, para se comercializar eficazmente as wearables.

Por trás da categoria “Powered Clothing” conduzida pela Superflex, além da inovação e facilidade de limpeza, estão a vestibilidade e acessibilidade no preço final, ainda não revelado. Também o compromisso de se desenvolver uma peça estilosa, ajudando a desestigmatizar um público associado a produtos de moda nada atrativos.

Sem limites

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Parte do processo de envelhecimento natural do corpo humano é a redução progressiva da nossa força física devido a uma significativa perda muscular (em termos de massa, força e qualidade do músculo), culminando na redução da nossa capacidade de realizar tarefas cotidianas.

Clinicamente, é possível perceber essa redução de força a partir dos 60 anos, com indivíduos saudáveis entre 70 e 80 anos apresentando perda de força física entre 20% e 40%. A massa muscular humana corresponde a 40% até 50% do nosso peso corporal total, por isso, a redução gradativa no tamanho e fibras musculares com a idade é considerada um dos principais limitadores de uma boa qualidade de vida para as pessoas que estão envelhecendo.

E já que estamos vivendo mais, por que não uma wearable para nos ajudar a viver melhor?