83ª theMICAM: EM MILÃO, O UNIVERSO DOS CALÇADOS FAZ A ECONOMIA ITALIANA GIRAR

Entrada theMicam. ©Divulgação.

A Mostra Internacional de Calçados theMicam, que acontece semestralmente em Milão, encerrou suas atividades no último dia 15 com saldo positivo: um aumento de 5% de visitantes com relação a fevereiro de 2016. Nessa edição, que apresentou a coleção outono-inverno 17/18, estiveram presentes 26.505 pessoas provenientes do exterior e 18.105 italianos visitando a estrutura da feira. Durante quatro dias o evento ocupou nada menos que sete pavilhões do espaço de exposições Fiera Milano (Rho).

Num universo de 1405 expositores, dos quais 49 eram brasileiros – entre nomes como Dumond e Capodarte, Bottero, Cristofoli, Ipanema, etc. (lista completa aqui) – , 795 foram italianos e 610 estrangeiros, movimentando um volume de 14 milhões de euros. A novidade da edição ficou por conta da presença de nomes importantes do segmento luxo, como Tod’s, Gucci, Prada, Ferragamo e Fendi, endossando a importância do Made in Italy na produção de calçados. Allure garantido no evento promovido pela Assocalzaturifici, Associação Calçadista Italiana, presidida por Annarita Pilotti.

Antes da feira, a pergunta que pairava no ar para quem observa, estuda e principalmente escuta pelo menos um pouco do que se passa no universo dos calçados italianos, é se um evento do porte e gênero do theMicam ainda faz sentido em 2017, ou mesmo num futuro próximo. Posto que já não seria mais necessária hoje em dia, com a facilidade do mundo em rede, a realização de um showroom presencial para se estabelecer negócios entre buyers do mundo todo. Uma possível resposta? Continue lendo o post.

UM OLHAR PESSOAL

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Artesão Andrea Gatti demonstra no stand da marca seu savoir faire, calçados pintados a mão para a Giancarlo Corti. ©Raquel Gaudard.

Passeando pelos corredores espaçosos da theMicam na segunda-feira 13, observei algumas coisas interessantes. A primeira delas é que não é permitido fotografar o evento. Isso mesmo, num tempo onde smartphones operam com resolução mais poderosa que muitas câmeras fotográficas profissionais, a preocupação com a cópia de algumas das marcas presentes é ao mesmo tempo anacrônica e pueril. A ponto de muitos dos stands serem a portas fechadas. O que será de tão misterioso e jamais visto teria ali dentro desses boxes, que ainda não tenha sido realizado por alguém?

Pode ser que a proibição iniba os cliques mais indiscretos, realmente. Mas o protecionismo é uma faca de dois gumes, nesse caso, perde-se em publicidade espontânea nos dias do evento. Outra análise – vale dizer, superficial, já que uma tarde é muito pouco para visitar a feira – é de que tudo o que estava exposto era muito similar ao que aconteceu no inverno 16/17. Ainda, tudo muito influenciado pelo fenômeno Alessandro Michele na casa Gucci: calçados em veludo, bordados, tecidos brocados e muito pelo, natural e artificial, além de plataformas altíssimas, vão acontecer entre os modelos que as fashionistas vão querer calçar na próxima temporada. Mas eu já vi esse filme rolando esse ano mesmo, por aqui. Quem copia quem, no final das contas?

MIPEL

Evento paralelo a theMicam era a Mipel, 100% voltada para calçados e acessórios em couro. Com um ambiente muito criativo, subdividido em temas e dècors especiais, aqui sim era possível fotografar: ao contrário dos adesivos proibitivos da área de stands na theMicam, cartazes sinalizavam a presença de wi-fi e a senha, free para todos.

SEMINÁRIOS

Vanessa Belleau fala sobre consumer lifestyle e trends para a WGSN na theMicam. ©Raquel Gaudard.

Um dos pontos altos do evento eram os seminários promovidos pela WGSN, autoridade em previsão de tendências de comportamento e consumo. Para conhecer e seguir Vanessa Belleau, facilitadora da palestra Consumer Lifestyles Trends, vai lá: @vanessa_belleau_wgsn.

Vale observar que trata-se de um seminário voltado para o mainstream, já que as previsões mesmo, aquelas que apontam para dois, três anos em diante, derivam trend reports a peso de ouro, que apenas grandes marcas têm acesso mediante pagamento.

Vanessa falou dentre muitas coisas, sobre cinco palavras-chave, das quais:

  • pessoas
  • produtos
  • propósito
  • progresso
  • paz

Com relação a pessoas, o approach do apelo do espírito jovem, do youth mode, que as marcas já estão abordando há uns dois anos pelo menos, segue como via de regra. Não importa a idade, importa o free spirit. E haja moletom, jeans rasgados e sneakers nas araras e prateleiras mundo afora.

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©Raquel Gaudard.

O approach das belezas individuais das pessoas também foi abordado, marcas que valorizarem a diversidade dos corpos e gêneros, da beleza das imperfeições serão preferidas pelos consumidores. Já era tempo.

Com relação aos produtos, os seus valores foram redefinidos através de momentos. Através das experiências que eles podem entregar aos usuários. Portanto, mais importante é o caminho do produto até o ato da compra, como foi produzido, quem ele envolveu. E por aqui, haja storytelling.

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©Raquel Gaudard.

O propóstito também é importante. Quem se lembra do nome do novo livro do publicitário André Carvalhal? Moda com Propósito. Pois bem, a tal da história por trás do produto e da marca é importante e vital para a sobrevivência, principalmente se estivermos falando de moda.

A esse ponto a rede de Vanessa é então lançada para a sustentabilidade e redução de desperdício: e não é que até as fast fashions estão preocupadas com o tema? A H&M, por exemplo, está fazendo upciclyng de peças usadas, convidando seus consumidores para a action, chamando-os para fazer parte do processo.

©Raquel Gaudard.

Sobre as novas tecnologias, de revistas com conteúdo gerado por inteligência artificial a como vai ser o novo modo como vamos nos conectar. Mais social e menos selfie, disse Vanessa. Por isso, as lojas físicas vão ser redefinidas como um hub onde pessoas se encontram mais para entreter-se do que para o consumo do produto em si.

Links mentais que fiz quando ela falou sobre o assunto: Grande Hotel Ronaldo Fraga e o futuro modelo de loja da Apple.

Ou mesmo a própria razão de ser do evento theMicam em 2017 e no futuro, sobre o qual falava antes. A resposta poderia ser, talvez, o evento tornar-se um verdadeiro hub de lifestyle  – onde atividades periféricas ao business dos stands, como os seminários, desfiles, barber shops e muitos outros happenings que eles já promovem atualmente, sejam ampliados e sejam a ânima do evento, a sua coluna vertebral.

Barber shop na theMicam. ©Divulgação.

STANDS: ITS E CÂMARA DE COMÉRCIO DE FERMO

©Raquel Gaudard.

Importante também registrar a presença do Instituto Técnico Superior de Fermo e da Câmara de Comércio, que esse ano uniram forças para fazer valer a importância da formação para fomentar o setor produtivo dos calçados da região Marche.

Trata-se de um percurso formativo de muita qualidade, sou testemunha ocular, onde os futuros profissionais são munidos de conhecimentos consolidados de outros profissionais já consolidados no mercado e com anos de técnica e do melhor do saber fazer “Made in Italy”.

A aliança da tradição do handmade com as novas tecnologias foi apresentado através da presença de alunos do curso – meus colegas! – todos os dias no stand, ao lado de uma impressora 3D ativa e printando pequenos modelos criados durante as aulas, uma beleza!

O selo de que, por aqui, o futuro profissional dos produtores de calçados também está sendo forjado, da melhor maneira possível.

Vida longa a theMicam e às iniciativas que favorecem o aprendizado. Milão, nos vemos em setembro.

WEARABLE TECHNOLOGY SHOW

Um dos maiores eventos do setor, o Wearable Technology Show abre suas portas em Londres, na próxima terça-feira, 10 de março. Com 110 expositores do mundo todo e aproximadamente 200 palestrantes, o evento praticamente dobrou de tamanho desde a sua inauguração, no último ano. É mais uma confirmação de que 2015 está para peixe, como diriam por aí, para o setor das tecnologias vestíveis. O evento segue até o dia 11.

Lançamentos de todos os tipos estão sendo aguardados durante o evento. Uma headband que “lê pensamentos”, relógios inteligentes no melhor estilo James Bond e muitas, mas muitas soluções voltadas para praticantes de atividades físicas, vão poder ser conferidos, segundo a organização da feira.

“O mercado esportivo e fitness movimenta bilhões de dólares e os atletas – amadores e profissionais – são tradicionalmente early adopters. Por esse motivo as wearables estão avançando tão rápido nesse setor, o que é excitante para desenvolvedores e usuários”, comenta John Weir, Diretor de Operações do Wearable Technology Show.

Microsoft, Amazon, Samsung, Mc Laren são alguns dos gigantes globais que participam do evento. Além disso o Wearable Technology apresenta o Augmented Reality 2015 e o Wearable Start-Up Competition, como parte da sua programação.

“O mercado é jovem mas já é estimada a sua valorização em 14 bilhões de dólares, com especialistas prevendo um crescimento de mais de 70 bilhões até 2024. As wearables vieram para ficar e estamos prestes a vê-las de forma cada vez mais intrínseca às nossas vidas: na saúde, bem estar e entretenimento. Não só dos consumidores, mas também das indústrias”, completa Weir.

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http://www.wearabletechnologyshow.com

@wearabletecshow

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BJÖRK GANHA MOSTRA RETROSPECTIVA NO MoMA

De 8 de março a 9 de junho o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) apresenta retrospectiva da compositora, musicista e artista islandesa Björk. De Debut (1993) a Biophilia (2011), a mostra conta a história da sua carreira através das músicas, filmes, instrumentos, objetos, performances e figurinos.

A carreira de Björk está diretamente relacionada à promoção de novas experimentações, estéticas e tecnologias também no universo da moda – e isso muito antes de Lady Gaga. Assim, espera-se que a seção dedicada aos registros de seus figurinos seja bastante rica.

A instalação no MoMA apresentará a narrativa biográfica e ficcional de Björk, assinada por ela mesma, em parceria com o escritor islandês Sjón.

Colaborações com diretores de filmes, fotógrafos, designers de moda e artistas fazem parte dessa experiência imersiva, concebida e realizada pelo diretor Andrew Thomas Huang e a plataforma de software 2D/3D Autodesk, que também é utilizada para construção de projetos em design de moda. 

No blog de Iris Van Herpen, a imagem e a notícia de que a estilista estará no time dos designers parceiros na exibição. Depois de Biophilia, quando vestiu Björk com peças de diferentes coleções, como Synesthesia e Escapism, a designer conta que, especialmente para essa exibição, criou novos vestidos e looks.

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"Aqui estou costurando à mão um dos seus vestidos, na sua casa, na Islândia." ©Reprodução www.irisvanherpen.com/blog

CHARLES JAMES: ALÉM DA MODA

Com abertura ao público marcada para o dia 8 de maio no Metropolitan Museum de Nova York, a mostra Charles James: Além da Moda, reúne aproximadamente 75 criações mais notáveis do estilista anglo-americano ao longo da sua carreira, de 1920 até 1978, ano de sua morte.

“James foi um artista que escolheu o tecido e sua relação com o corpo humano como sua forma de expressão”, afirma Jan Giler Reeder, curador no The Costume Institute do MET e responsável pela organização da exposição com Harold Koda. 

As galerias do primeiro andar da mostra exibem toda a beleza e a arquitetura dos trajes de gala realizados por Charles James, entre as décadas de 40 e 50. Croquis, estamparias, trabalhos incompletos, enfim, peças de arquivo do seu estúdio no Chelsea Hotel de Nova York, receberam um suporte tecnológico especial, responsável por dar vida à biografia de James.

A exposição explora o processo de criação de Charles James, que se valia de métodos matemáticos e científicos para desenvolver suas peças esculturais, modelos que revolucionaram a história da moda e que continuam a influenciar os designers até hoje.

Para quem for viajar para NY, a mostra segue até o dia 10 de agosto de 2014. Eu iria!

PUNK: CHAOS TO COUTURE

Rodarte, Vogue, Julho 2008.(c) David Sims

O Metropolitan Museum of Art de Nova York, MET, anunciou hoje o seu calendário para a primavera 2013, com a exposição PUNK: Chaos to Couture, que acontece de 9 de maio a 11 de agosto (precedido pelo seu tradicional baile de gala, no dia 6). A exibição irá examinar o impacto do movimento desde o seu nascimento, na década de 70, e sua influência na alta moda atual. 

Segundo Thomas P. Campbell, diretor e CEO do MET, “o remix de referências que é a assinatura do punk foi abastecida por desenvolvimentos artísticos como o Dada e o pós-modernismo, assim, faz sentido apresentar essa exposição num museu, que também exibe abordagens mais amplas desses dois movimentos.” 

Para Andrew Bolton, curador na instituição, “desde as suas origens, o punk tem tido uma incendiária influência na moda”. Para ele, embora a essência do movimento seja democrático, em oposição à autocracia da moda, os designers continuam a apropriar-se da estética punk para capturar sua rebeldia jovem e força agressiva. 

A valorização do diálogo entre moda e arte já está definitivamente consolidada pelo Instituto de Costumes do MET. No histórico da instituição, estão mostras como a de Alexander McQueen – Savage Beauty (2011), Schiaparelli and Prada – Impossible Conversations (2012) e lembrando sempre, é claro, dos tempos de Diana Vreeland à sua frente.

Para ilustrar, aqui no blog, um pouco da história da ANARQUIA UK, contada por Marina Dias no Fashion Splash – uma produção nacional, da Selva Filmes.

E na sequência, um documentário sobre o dadaísmo (em inglês, dividido em 3 partes). Esse último tem uma linguagem bem interessante, inspirada na ideia do cut-up de imagens, típica do movimento Dada.