WEARABLE OU NÃO – EIS A QUESTÃO.

Cada um guarda no seu imaginário uma projeção de como será esteticamente o futuro. E ainda que os filhos dos anos 80 e das distopias apregoadas por Blade Runner ou Mad Max costumem ter a visão de um cenário mundano tecno-trash ou cyberpunk dos dias que ainda virão, a geração de asseclas da Apple que os seguiram, na linhagem sucessória dos zeitgeists do mundo, ganhou da maçã que dominou o planeta uma paleta de cores claras e iluminadas para os seus sonhos – tudo made by design.

Nosso futuro passou a ser branco, com alguns tons de cinza até, sempre funcional, sem desperdício de tempo e recursos, simples, clean, sem esforço. Utopia?

A “máquina” não é mais a nossa inimiga e agora anda de mãos dadas com os artesãos dos finos ateliês parisienses de alta-costura. O tema da atual mostra do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova York (MET) – considerada uma das mais importantes para a moda – celebra o trabalho mútuo exercido pelas mãos dos homens e pelas tecnologias aplicadas à moda, desde a invenção da máquina de costura.

Manus x Machina: Moda na Era da Tecnologia” apresenta laços bem dados com o savoir fare dos artesãos e, atualmente, o mais alto e complexo bits and bites do universo binário, criando uma alta-costura com perfume avant-garde, pronta para usar.

Quem assina a curadoria da mostra é Andrew Bolton e, ao contrário, do que pensavam os entusiastas das wearables e da Apple, patrocinadora oficial do evento, “Manus x Machina” deixou de lado essencialmente essa nova geração de tecnologias vestíveis. “O grande problema das wearables é a sua estética, o fato de serem, na verdade, geringonças, ao invés de algo com uma aplicação real em termos de moda”, Bolton declarou.

Bem verdade que a sutileza dessa colaboração entre cérebro-mão-máquina é contada pela mostra de uma forma que cai bem na relação do Instituto de Costumes do MET com as grandes maisons – e celebridades – que a patrocinam. Restava, então, transitar no território seguro da tradição, apresentando peças de beleza indubitável, explorando a dicotomia, questões e significados do que produzem as “ferramentas” homem e máquina, na criatividade da alta-costura e o ready-to-wear.

Talvez a palavra “wearable” tenha sido absorvida pelo mainstream de forma a significar apenas as tais “geringonças” citadas pelo curador Andrew Bolton. Fato é que a mesma mostra assinada por Bolton apresenta peças consideradas wearables, sim, pela literatura especializada em tecnologias vestíveis, como modelos dos estilistas Iris Van Herpen e Hussein Chalayan.

Ser humano antes da máquina

Uma tecnologia vestível pode ser definida, resumidamente, como peças de roupa ou acessórios que contenham um ou mais sistemas inteligentes embutidos no seu processo de criação ou aplicação no seu resultado final, afetando ou não sua estética.
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Fundadores Vinaya ©Divulgação

Kate Unsworth, CEO da startup Vinaya, é nome fresh nesse universo das wearables. Em entrevista exclusiva à Revista F., Unsworth nos conta sobre seu mais novo lançamento, a wearable Zenta, que superou em aproximadamente 100% (até o fechamento dessa edição) os 100 mil dólares necessários para o pontapé inicial do produto, através do crowdfunding Indiegogo.

Zenta é uma pulseira que, antes da tecnologia, pensa no ser humano que a carrega. Ela funciona como um personal coach do seu corpo e mente, te dando insights sobre você mesmo e seu estilo de vida, baseando-se em informações como sua social media, sua agenda, os locais onde você frequenta e mais. Na era da distração, a peça já nasce com ares “must-have”.

Wearable Zenta ©Divulgação.

Quanto mais você usa Zenta, portanto, mais acurados esses dados se tornam. Kate considera que a joia – sim, é uma joia – se difere da sua linha anterior, ALTRUIS, pelo fato de usar sensores biométricos que mantêm você informado e com o controle das suas emoções.

“A característica mais importante de ALTRIUS é a liberdade que ela te dá. Você se torna realmente capaz de experimentar novas coisas ao invés de estar constantemente checando seu telefone, só para ter certeza de que você está ‘conectado’. Usando ALTRIUS, minha vida tornou-se novamente autêntica”, diz Kate.

Sobre a estética das suas wearables, Kate afirma que ela mesma, seus sócios e equipe são muito influenciados pelo design escandinavo e pelo minimalismo. “Nossos produtos são clean, versáteis e modernos. Pensamos, acima de tudo, num visual que as pessoas desejem usar e que combine com qualquer tipo de roupa.”

Vinaya é baseada em Shoredicht, Londres, e já conta com grandes investidores, como o cofundador da rede social Bebo, Michael Birch, e o ex-Index Ventures, Robin Klein, alcançando, atualmente, a casa dos três milhões de dólares, segundo o Business Insider.

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Kate Unsworth, CEO Vinaya © Divulgação.

“Comecei aos 25 como consultora de tecnologia, quando tudo começou. Eu estava sempre tão sobrecarregada de trabalho e sendo constantemente notificada sobre novas mensagens, que dormia muito mal e me afastava de eventos sociais.” Kate, hoje aos 27, afirma que alinhou sua paixão pela moda e a necessidade de ser menos grudada ao seu smartphone, para conceber a ideia de ALTRUIS.

E como é ser uma “woman in tech”? “Eu amo! E tenho tido sorte o bastante por não enfrentar tanto preconceito. Apesar disso, foi sempre meio estranho em minhas aulas na universidade, pois eu era uma das poucas meninas nas aulas de matemática avançada. Espero que isso mude em breve, que no futuro nós possamos ver mais mulheres envolvidas em setores que até hoje são, predominantemente, ocupados por homens.”


A matéria “Wearable ou não – eis a questão” foi publicada pela Revista F. Cultura de Moda, edição #17. Link para a publicação:

Leia também a pensata “Sobre Wearables e Baleias”, quando conheci o trabalho de Kate Unsworth.

MANUS MACHINA – REDES DO FUTURO

Artigo publicado pela Revista Tecnography, Edição Redes.

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Concentrada nos caminhos da moda – ainda que de maneira deliciosamente diletante – logo no princípio de 2015 eu conversava com uma designer de moda portuguesa, que me lançou uma clara ideia sobre o que significa realizar um trabalho realmente apontado para o futuro. Para resumir o papo e o pensamento, que é amplo, numa só palavra, eu diria: interdisciplinaridade ou… redes.

O CES, importante evento do setor de bens de consumo eletrônicos, que acontece anualmente em Las Vegas, EUA, inaugurou 2015 espalhando aos quatro ventos que esse seria o ano das wearables.

A Intel faria o lançamento do seu chip Curie, um módulo programável pequeníssimo, do tamanho de um botão, que reduziria o volume do hardware presente nas roupas e acessórios inteligentes, daquele momento em diante.

INTERDISCIPLINARIDADE

Desde que os estilistas começaram a se interessar em embutir funcionalidades outras nas roupas, além das óbvias, foi aberto um caminho sem volta para resultados que seriam produzidos através das redes de pensamentos, de habilidades, de disciplinas. E de pessoas. Essa maravilhosa configuração dos processos e saberes do século XXI, aquela tal interdisciplinaridade sobre a qual conversávamos eu e Alexandra Cabral, a designer portuguesa.

Pensei sobre a moda e seu eterno retorno às décadas passadas, através de estilos étnicos, góticos, minimalistas, maximalistas, românticos ou esportivos… Com alguma pitada de novidade, certo, mas ainda sem experimentar algo totalmente novo.

É a moda do passado, que recorre à ele, que orbita nele. Coisas de um mercado que precisa manter-se na zona de conforto da aceitação do consumidor final. Esse lugar-comum, encontrado a cada temporada, pelos escrevinhadores das modas do mundo.

ANTI-FASHION

Li Edelkoort, uma das trend forecasters mais respeitadas atualmente, publicou também nesse ano seu Anti_Fashion Manifesto, elencando as razões pelas quais acredita que o sistema da moda, como o conhecemos, é obsoleto. Como se pode notar, 2015 realmente foi um ano agitado para quem ainda insiste em acreditar que esse fast fashion nada forward, guia do mundo através do retrovisor, vai conseguir sustentar o mercado.

E as grandes maisons já estão sofrendo duramente com esse sistema. Scusami, Mr. Slimane: Saint Laurent Paris é a nova Zara, só que com preços astronômicos. Nessa dança das cadeiras da alta moda, em 2015, sambaram Raf Simons, da Dior, e Alber Elbaz, da Lanvin. Mas quem consegue fazer um trabalho apurado com seis coleções ao ano? Eles, nomes maiores que as casas que levavam, preferiram abster-se desse jogo sujo que o fashion business selvagem tem imposto aos seus criadores. Soa muito dramático? É o que está tendo.

Enquanto isso, descolados do capital, ou pelo menos, não só concentrados nele, nos laboratórios que cruzam moda, tecnologia, design e ciência, mundo afora, pensamentos voam além dos bureaus de tendência de cores, tecidos e do comportamento de consumo. Na verdade, são eles que fazem a tendência: não aquela que você vai encontrar imediatamente nas araras da sua loja favorita. Mas a que vai dirigir o zeitgeist do mundo todo, daqui a 10, 50, 100 anos.

MAKERS GONNA MAKE

Uma configuração multidisciplinar de trabalhos pode ser realizada entre pessoas com diferentes skills e conhecimentos, e Iris Van Herpen é um belo exemplo. O “staff” da designer de moda holandesa é formado por arquitetos, programadores, engenheiros. Seu estilo não é feito só com agulha e linha. É o exemplo de pessoa que, ainda na faculdade, não teria medo de cruzar o campus e buscar novidades e parceirias em outros centros.

Como Danit Peleg. Essa jovem israelense apresentou como projeto de conclusão do seu curso de moda uma coleção totalmente impressa em 3D, utilizando uma impressora caseira, carregada com filamentos sintéticos maleáveis. Minha aposta para o futuro próximo, nesse cenário? Makers gonna make. O 3D é hot ticket para a moda, sim, e saber uma linguagem de programação vai ser parte do pacote do profissional desse milênio. Aquele que queira fazer uma moda com a cara do futuro.

Nessa seara, é bom observar o trabalho do casal Nervous System, cuja micro rede de conhecimentos surgiu com uma estética toda nova para a moda. Eles não são estilistas. São designers, programadores, que lançam mão do estudo da ciência e da natureza e utilizam a moda como plataforma para os seus resultados. Um deles? Vestidos impressos inteiramente em 3D – no caso de Danit foram “placas”, posteriormente justapostas –, e que hoje se encontram em museus como o Cooper Hewitt Smithsonian Design ou o MoMa, ambos em Nova York.

MANUS X MACHINA

E é do MET que chega a notícia de que a principal exposição arte-moda, a mais movimentada de 2016, tem como tema “Manus X Machina: a moda na era da tecnologia”. De 5 de maio a 14 de agosto será apresentada uma mostra que irá explorar o impacto das novas tecnologias na moda, e como os designers estão reconcilando o handmade com o “machine-made”, na alta costura e no ready-to-wear.

A exposição é patrocinada pela Apple e aí já abrimos, de antemão, uma nova rede: aquela que é conectada diretamente com os interesses, vejam só, do mercado: a gigante das tecnologias quer saber como explorar direitinho os confins da moda. Ora, direi, apenas através do desejo. Ele, que apesar de todos os futurismo e desapegos do business, continuará a existir, vaticinam os trendhunters.

Eu, por aqui, sigo certa de uma coisa: humanos serão humanos até o fim dos tempos. Seus afetos estão em constante conflito e o desejo é apenas um deles, concordando com os o que os especialistas em tendências dizem. Noves fora, o universo do conhecimento em redes pode, inclusive, fazer com que esse estímulo seja aplicado às novas tecnologias aplicadas à moda. Como o que a Apple está promovendo. Como o que os criadores do novo pensamento, entre a mão e a máquina, estão construindo.

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IL CRUDO

Lévi-Strauss pensou a antropologia dos ameríndios a partir de uma das oposições mais básicas da vida, o cru e o cozido – uma das ferramentas que serviriam, ao fim e ao cabo, para estudar os mitos fundadores de todos os povos. Eles que, desenvolvendo suas primeiras ferramentas e depois delas, portanto, o seu próprio cérebro, tornaram-se capazes de cozinhar seu alimento e perder menos tempo digerindo tantas carnes cruas para degustar, então, o pensamento.

Lançando o anzol para buscar esse peixe, veio a rede: estamos em 2015 e as raw images digitais povoam os discos duros cada vez mais soft’n’easy de se carregar. Não como baguetes, bem entendido, mas quase do tamanho das pílulas sublinguais, que nos transportarão num futuro, em segundos, para o universo dos wireframes. É de lá, do mundo binário, que elaboro os links que seguem.

O cru de todas as coisas carrega em si as informações mais elementares para se constituir como tal. É a parte do todo que, como parte é todo, poderia filosofar Gregório de Mattos. Ou fazer poesia. É que o detalhe ali é complexo até um certo ponto, essa é a sua beleza.

Parto, então, da nova estética da triangulação de Delaunay – que já nem é tão nova assim, depois que caiu na regra de três das modas e em todos os lugares você pode encontrar um visual quem lembram prismas. Da identidade de uma empresa local, a uma multinacional, ou estampada em camisetas. Eis a matrix.

Na verdade, é esse o “esqueleto”, de todas as imagens em três dimensões, a sua versão mais crua. E será que nós também somos assim, por dentro? Foi Boris Delaunay, quem inventou e batizou esse tipo de esquema, partindo de quatro pontos num círculo para chegar à sua condição tridimensional, considerando os círculos, esferas. E desde 2012, foi entendido como uma estética do novo milênio. E as reproduções da moda se sucederam.

O fato é que, para fazer um upload dessa versão estética triangulada, talvez fosse mais esperto partir para o visual dos hexágonos, que segundo o matemático Georgy Voronoi, pode ser encontrado em diversos campos da ciência e da tecnologia. De porcelanatos e cerâmicas como tendência na última Expo Revestir de São Paulo, em março de 2015, às estruturas celulares: a natureza nos prova que a melhor maneira de se preencher um espaço vazio é com estruturas sextavadas. E o leitor sabe o que é mais bonito? É que esse visual também é conhecido como tesselatura. Sim, como nos tecidos.

Se a moda do futuro não é feita com agulha e linha, mas com softwares, uma impressora e algum aglomerado material – que pode ser atualmente de muitas coisas, vinil, madeira, metal – mas não tecido, nem tratado, nem cru: é o mistério da tecnologia, que coloca a serviço tantas coisas que servem para tanto e, ao mesmo tempo, servem para nada.

As wearables technologies podem não passar de meros gadgets, caros e inúteis, caso algum tutano não seja articulado, nesse terreno onde glamour, ombros de fora e muitas cifras insistem em puxar a sardinha para um mundo que ainda vive de passado, enquanto as possibilidades estão todas aí, em cima da mesa.

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Artigo publicado pela revista Tecnography #2. Baixe gratuitamente clicando aqui.

Crédito da Imagem ©Eric Mueller, com instalação de Trever Nicholas, “Luma (Voronoi Cellscape)”.

WHEN FASHION IN MUSEUM BECAME SYNONYM OF ART (english version)

Here is the english version of the last post, article published by Duetto Fashion Magazine. Special thanks to Hellen Katherine, who did the translation.

The 2012 calendar is full of great fashion exhibitions not to miss, however, the most awaited are – once again – happening far from Brazil. By Raquel Gaudard

The Metropolitan Museum of Art (MET) presents in New York, from May 10th to August 19th, “Schiaparelli and Prada – Impossible Conversations”. Elsa Schiaparelli and Miuccia Prada, parted by time and linked by style connections, get an exhibition that shows how both explored different angles of similar issues in their collections.

Heading to the old world, specifically to Paris, the Les Arts Decoratifs is ready to open its doors and face a huge line of fashion lovers, coming from all parts of the world – that´s what the exhibition Louis Vuitton – Marc Jacobs is expecting – from March 9th to September 16th. In view of the extended time, the foresights point to a success as great as Alexander McQueen´s show, last year. Almost 700 thousand people passed by the event, a great amount, specially if we consider the contemporary art audience.

Fashion exhibitions are in fashion”, says Ingrid Mida, canadian artist and researcher of the intersection among fashion, art and history. “Fashion attracts young audiences into museums, and savvy curators are aware of the seductive power of staging exhibitions that will bring people into the museum”, she analyses.

Ingrid reminds us that it was Diana Vreeland who first presented, in a museum, the work of an alive fashion designer, in 1983, when she showed off an Yves Saint Laurent retrospective, at MET. “That exhibition generated a lot of controversy, but also set a precedent that others have since followed”. For Mida, fashion shows are more accessible to the mainstream perception than the traditional contemporary art installations, fact that explains – in her point of view – the big audience created by these events.

While abroad, fashion and arts have conversations in many dates spread all over 2012 calendar (check out our highlights for this year in the box, at the end of the report), in Brazil, this kind of production is still restricted to a more historical than artistic speech. The Costume and Textile Museum from the Feminine Institute, at Salvador city (BA), has the largest costume collection of the country, including, sometimes, special guides aimed at the dialogue between fashion and contemporary art – as proposed in the exhibition “Threads, threads, threads”, closed on March 22nd.

But this is an odd case and doesn’t describe the reality of our museums. According to Douglas Negrisolli, brazilian independent curator and art historian, the relation between fashion and visual arts in Brazil is still superficial. “The exclusiveness and the power of a small portion of the society are notorious in our country, and that comes about with much less strength in countries like United States, where the cultural production is extensively supported by both the government and private sector” – he considers.

Douglas also mentions how collections are limited to more regional representative costumes, such as cangaço (symbolical historical way of life from the Brazilian northeastern) and cerrado (typical brazilian vegetation), but, in the long run, “they are ineffective on the process of spreading brazilian costumes main feature, as well as its permanency in presentations”, he thinks.

About the art curator role due to this new work source, Ingrid Mida affirms that this professional acts as a gatekeeper in the museum field, once through this selection of which and how objects are supposed to be displayed, he can change the public comprehension. Schiaparelli and Prada”, for instance, is directed by no one less but the cineast Baz Luhrmann, who produced a video installation simulating an imaginary dialogue between the fashion designers.

Staging effects, such as the use of lighting and sound elements, invisible supports for garments, or animated mannequins, are display techniques for fashion objects that create the aura of an art installation. And, while audiences might read fashion as art because of those choices, it does not mean that what is shown in the context of a museum setting is necessarily art” – she completes.

In Douglas’ opinion, the art curator has the power of highlighting a production, but not raising it to another level. “Just as a physic reaction of an artist/stylist internal desire, in essence, is, on itself, an artwork”, he says. Concluding, he affirms that, in his opinion, “art is the expression of an intimate wish towards to something physical, visual, touchable” – so, clothing would also be, in a way or another, whether valued for installations around or not, included in these words.

LOUIS VUITTON- MARC JACOBS

Museé des Les Arts Decoratifs – Paris

From March 9th to September 16th2012

www.lesartsdecoratifs.fr

ELSA SCHIAPARELLI AND MIUCCIA PRADA – IMPOSSIBLE CONVERSATIONS

Metropolitan Museum of Arts (MET) – New York

From May 10th to August 19th 2012

www.metmuseum.org

CHRISTIAN LOUBOUTIN RETROSPECTIVE

Design Museum – London

From March 28th to July 1st 2012

www.designmuseum.org

YSL – THE RETROSPECTIVE

Denver Art Museum – Denver

From March 25th to July 8th 2012

www.ysldenver.com

BALLGOWNS: BRITISH GLAMOUR SINCE 1950

Victorya & Albert Museum – London

From May 19th to January 6th 2013

www.vam.ac.uk

DIANA VREELAND: THE EYE HAS TO TRAVEL

Palazzo Fortuny – Venice

From March 10th to June 26th 2012

www.museiciviciveneziani.it