ARDUINO: MIREM-SE NO EXEMPLO DAS MULHERES BRASILEIRAS

Uma vez conversando com uma senhora descobri que ela não tinha aprendido a dirigir na juventude tão somente porque lhe disseram que não seria capaz. E ela acreditou. “Mas porque você não aprende agora? – perguntei – “O quê? (Risos dos familiares em volta) Jamais, ela é muito ansiosa, está muito velha, é muito difícil…”

Sim, estamos em 2017 e falando sobre uma mulher dirigir um carro. E não só.

Em 2016, menos de um ano atrás, resolvi que gostaria de aprender um software 3D, para aplicá-lo em alguns projetos. Mas o mais importante: me sentia atraída e curiosa, adoraria aprender, me achava capaz. O feedback imediato foi o mesmo – é muito difícil, você vai ver, vai se frustrar – acompanhado de nenhuma palavra de incentivo.

Não que em menos de 12 meses do primeiro contato eu já tenha conseguido, longe disso. Aprendi muito pouco ainda, mas estou no caminho e me sinto bem com isso.

ARDULADIES

E se tem um assunto que observo com frequência nesse universo infinito chamado moda é sobre como as novas tecnologias estão afetando o modo de produzir e de olhar as suas estéticas. Mas o mais interessante nesse caminho é ver o progresso que as mulheres têm conseguido alcançar, mais especificamente no campo das wearables, através de percursos notadamente masculinos como a eletrônica e a mecânica. É o caso do coletivo feminino brasileiro Arduladies, você conhece? Então siga o post.

Antes de mais nada é legal explicar um pouco sobre o que é o Arduino.

Trata-se de um hardware open-source  – o que significa que tem o código-fonte aberto, você pode derivar diversos tipos de sistemas através dele. Além disso, o Arduino oferece um leque vasto de ferramentas para softwares, plataformas de hardwares e bibliotecas capazes de tornar qualquer pessoa capaz de exercer a sua criatividade através da tecnologia. Também na moda? Sim. Pergunte às Arduladies.

“A comunidade surgiu em novembro de 2016, com a união de mulheres de diferentes áreas, porém com um interesse em comum: o mundo maker”, conta Isabela Mendes, 21, responsável pelo planejamento de oficinas, palestras, desenvolvimento de projetos e criação de conteúdo do grupo, que usa o Arduino como suporte para as suas criações.

Atualmente, a Arduladies é formada por meninas e mulheres de 4 a 40 anos de idade, atuando com palestras e oficinas em faculdades, empresas e eventos.

Valentina Fisch é uma mini-ardulady e tem apenas 4 anos de idade. Nas outras imagens, participação da comunidade em eventos e workshops. ©Reprodução Facebook Arduladies.

Em dezembro de 2016, a comunidade participou do hackaton de wearables da C&A e ELO, desenvolvendo um colete infantil baseado no jogo Genius. “O objetivo era adaptar os jogos e as brincadeiras antigas nos dias atuais, possibilitando a interação ‘real’ entre as crianças nessa era ‘virtual'”, afirma Isabela.

LILYPAD ARDUINO

O Arduino é uma ferramenta popular no desenvolvimento de produtos IoT – internet of things – além de ensino STEM – sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática – e suas interseções, vale lembrar, também com a moda. Inovação é a palavra de ordem para essa turma.

“Através das wearables, encontramos uma alternativa para atrair e cativar o público feminino, além de facilitar a abordagem de conceitos técnicos. Por isso, entendemos que, futuramente, a ‘tendência’ da moda seja estar conectada a outros dispositivos, para consolidar ainda mais a relação humana com a tecnologia”, explica Isabela, que é estudante e vai prestar vestibular para engenharia.

Originalmente, no princípio dos anos 2000, o Arduino era um projeto de pesquisa de Massimo Banzi, David Cuartielles, Tom Igoe, Gianluca Martino e David Mellis. Foi constuído a partir do projeto Processing, uma linguagem de programação desenvolvida por Casey Reas e Ben Fry, além de se apoiar na tese de Hernando Barragan sobre wiring boards. 

A primeira placa Arduino foi introduzida no mercado em 2005, para ajudar estudantes a criar protótipos, conectando o mundo fisico ao digital. Para a moda foi um turning point, desde que uma mulher, Leah Buechley criou o Lilypad Arduino, uma placa micro-controladora desenvolvida especialmente para wearables e e-textiles, evitando os emaranhados infinitos de cabos e hardwares visíveis que rendiam às peças um aspecto anti-estético e muito descolado do que a moda propõe para as ruas – e que a torna palatável para o mainstream.

MAKERS E FEMINISMO

Sabe o poder do qual falei no início desse artigo, de estar aprendendo algo que, ainda difícil, somos capazes? Pois bem, o movimento maker é e vai ser ainda mais importante nesse processo de empoderamento feminino, anotem.

“A luta pela igualdade de direitos e o empoderamento feminino são alguns dos objetivos que temos em comum com o movimento feminista. Dessa forma, também fazemos parte do movimento ao contribuir para que outras mulheres sintam-se amparadas e tenham voz dentro do mundo maker, além de nos dar força para manter a comunidade viva”, completa Isabela.

O Arduino foi criado e desenvolvido por homens, talvez numa época onde o ensino STEM ainda estivesse ligado à uma atividade eminentenmente masculina. Hoje, diversas iniciativas conduzem meninas para esse universo, vejam o caso das Girls Who Codes e, no Brasil, além das Arduladies, Isabela Mendes também indica nomes como Desprograme, Women Up Games, Pyladies e Rails Girls.

Bordado tech maravilhoso produzido pela ardulady Cristiane Acácio Rosa.

E vale um joinha na fanpage das moças no Facebook, para ficar por dentro de tudo, aqui ó: facebook.com/arduladiesbr.

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ESTILISTAS USAM CANETA 3D EM WEARABLE

Na vida, às vezes é preciso olhar duas vezes para poder enxergar.

Em colaboração com a  3Doodler, empresa produtora da caneta que “desenha em 3D”, o estúdio de moda Shigo, baseado em Hong Kong, desenvolveu um projeto que encontra o universo do 3D em tecido plano, numa forma diferente de se usar o gadget que há tempos circula pelas timelines web afora.

Ou vai dizer que você também não compartilhou o vídeo da tal caneta 3D, quando viu pela primeira vez?

As ferramentas estão no mundo, assim como Shigo pensou numa alternativa para utilizar o gadget, existem outras por aí para transformar nossos projetos em propostas muito mais interessantes.

Blue Steel and Diamons & Pearls é um vestido que usa como base um print comum em tecido como molde para a caneta 3Doodler entrar em ação – o estúdio Shigo escolheu uma pattern baseada em conchas para dar vida à wearable. O resultado é quase uma “armadura” em renda 3D, com fechamento lateral com duas fivelas, facilitando a vestimenta da peça.

Imagens ©Reprodução.

Shigo remixa peças urbanas com tecnologias contemporâneas, renovando a estética tradicional das peças do dia a dia. Quem assina pela marca são os estilistas David Chang e Kiwib Wong.

A 3Doodler usa um filamento flexível semelhante aos utilizados pelas impressoras 3D e atualmente existem três versões bastante acessíveis da caneta: uma para crianças, uma standard e uma profissional – para entrar já no estojo de desenho 4.0 de estilistas e artistas.

SPEEDFACTORY: ADIDAS ACELERA NA LINHA DE FRENTE DOS SNEAKERS

Em Ansbach, na Bavária, a fábrica 4.0 de calçados também está sendo desenhada.

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“O futuro da manufatura pode ser sobre materiais diferentes ou produzir características e funções que nós não consideramos ainda. Mas também pode ser sobre novas tecnologias de produção e novas formas de engajar nossos consumidores e suas necessidades. Nos colocamos novas perguntas a todo momento, por exemplo, como ser mais rápidos e mais flexíveis, ou que tipo de legado ambiental podemos deixar?” Gerd Manz, Diretor de Inovação na Adidas.

O futuro da manufatura para o Grupo Adidas tem nome: Speedfactory. A empresa já aventa há dois anos a construção de uma fábrica que faz parte do programa nacional alemão “Autonomia para a Indústria 4.0”, contribuindo para realizar estratégias ligadas à alta tecnologia até 2020, com foco na nova era da produção em série de calçados.

Combinando as últimas novidades em tecnologia da informação e comunicação, produção industrial, materiais e produtos inovadores e disruptivos, com tecnologia e eficiência energética e sustentabilidade, a Speedfactory tem previsão para ter produção inaugurada ainda em 2017, em Ansbach, na Bavária.

Autonomia das máquinas através do cérebro humano

O objetivo da fábrica é impulsionar o desenvolvimento de sistemas autônomos de produção, estabelecendo a Alemanha como um líder industrial com tecnologias inovadoras baseadas na inteligência da rede. A Speedfactory é no fundo um projeto de pesquisa, cujos tópicos incluem logística de produção, tecnologias com base cognitiva, interação homem-máquina e aplicação industrial do 3D.

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A transformação da fábrica num ambiente configurado por robôs não quer dizer, numa visão mais ampla, que postos de trabalho serão suprimidos em função de tais máquinas. O operário (ser humano) do novo milênio não é mais especializado numa atividade específica, que será realmente executada dentro de pouco tempo apenas por robôs, de forma autônoma, como no caso da SpeedFactory. A solicitação será de um sujeito com conhecimento técnico e tecnológico voltado para a gestão dessas máquinas.

Briga das boas na Europa

No páreo, a Itália também se lança no jogo da indústria 4.0 e das novas tecnologias aplicadas ao Made in Italy, selo de ouro que endossa a tradição secular do trabalho artesanal, agora, com uma linha de frente que envolve ações desde a escola, com a formação de novo atores com background tecnológico para atuar nesse novo setor que começa finalmente a deslanchar. Na terra do Arduino, além do governo, pequenos, grandes empresários e artesãos reconhecem agora a importância de se introduzir o pensamento digital no universo da maestria manual, apontando a economia para o futuro.

Futurecraft 3D

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Com um tipo de sola impressa em 3D, configurada com base nas necessidades de uso de cada tipo de pessoa, o Futurecraft 3D da Adidas é um tênis de corrida que melhora a perfomance do atleta. Trata-se de uma cópia em carbono flexível da sua pegada, combinando o contorno dos pés com pontos de pressão, resultado de uma base de dados pessoal e scannerização. Produzido sob medida para a experiência vivenciada nas corridas de cada dia.

A Adidas afirma que esse terreno da série Futurecraft é calcado em muitas pesquisas, materiais inovadores e processos não menos inovativos, casando qualidade do artesanato e prototipação com as tecnologias da nova manufatura. Fast, raw and real – é o mote da abordagem de design da marca.

Num esquema de parceria open source com a Materialise, especializada em impressão 3D, a série Futurecraft inova, ainda, com esse tipo de visão colaborativa também na criação. O suporte da impressão 3D é um dos alicerces da Speedfactory, que já assina como a porta de entrada para o futuro da produção de sneakers.

Inovação, inovação, inovação: mas com sustentabilidade.

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Arquivos de impressão em 3D de calçados projetados e pensados remotamente, que chegam através da internet e são baixados para serem produzidos num ambiente mais limpo e ecológico, com menos agentes contaminantes do ar, do solo e da água, além das próprias pessoas que trabalham no espaço.

Almejando o posto de linha de frente da inovação, o Grupo Adidas não mede esforços em pesquisa e melhorias sustentáveis. Uma delas é o DryDye, tecnologia que elimina a necessidade de água no processo de tingimento. Outro é o Manufacturing Excellence Programme, estratégia que envolve todos os tipos de projetos do Grupo, visando otimizar a engenharia e a manufatura dos seus produtos.

Além da parceria com a Materialise, a BASF também é outra cooperação de base tecnológica na empresa, com o objetivo de trazer à tona inovações destinadas ao futuro da manufatura dos calçados, mais especificamente no caso da Adidas, dos sneakers que vamos querer usar no futuro.

Que é hoje.

IRIS VAN HERPEN É A CARA DO FUTURO DA COUTURE PARISIENSE

Moda, novas tecnologias e artesanato na nova Couture 2017 desfilada em Paris, muito bem representada pela holandesa Iris Van Herpen.

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©Team Peter Stigter

O seleto reduto de estilistas e marcas que participam da Alta Costura parisiense já não é mais o mesmo. Desde de que abriram as portas para a exploração da moda e sua relação com as novas tecnologias digitais, a semana ganhou um tipo de atmosfera avant-garde sem precedentes, nesse espaço que sempre esteve em contato com a tradição secular do refinado artesanato dos ateliers de Paris.

Iris Van Herpen é o nome da holandesa que tomou de assalto a Couture da Cidade Luz. Se antes o luxuoso passado das maisons era feito de quilômetros de tecidos finamente rebordados e bem talhados, hoje também se fala sobre o futuro do universo binário aplicado aos tecidos e materiais cada dia mais inovadores, ao menos quando os modelos criados pela designer riscam a passarela.

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©Team Peter Stigert

“Between the Lines” é a nova coleção primavera-verão 2017 apresentada por Iris Van Herpen, no último dia 23 de janeiro. A imperfeição dos sistemas e estruturas dos mundos físicos e digitais era o tema. Nesse universo onde a estética do erro tem sido discutida sob os mais diversos vieses, da arte, à moda, à publicidade e não só, Iris construiu padrões para, em seguida, distorcê-los ou desconstruí-los.

Espaços lineares e contrastes evidentes são a base para os materiais e patterns desenvolvidos para as peças que compõem a coleção, desafiando o espectador a ser “parte do sistema”, mas sempre consciente das suas falhas.

©Team Peter Stigter

Esther Stocker

Uma das coisas que Iris Van Herpen faz questão de ratificar em cada temporada são as colaborações, contaminações e hubs que estabelece, com artistas e profissionais de diversos segmentos.

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“Unlimited Space”, de Esther Stocker. Galeria de Arte Moderna, Roudnice nad Labem, 2013. © Reprodução.

Em “Between the Lines” foi a vez de celebrar a parceria com a artista Esther Stocker, italiana de Silandro atualmente baseada em Berlim, com passagem pelas Academias de Arte e Design de Viena, Brera (Itália) e Pasadena, na Califórnia. Sua estética foi transportada para a cenografia da passarela, provocando uma distorção visual e profundidade de campo geométrica, subvertendo o espaço e estabelecendo uma conexão linear que, na verdade, não existe.

Estética do erro

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©Morgan O’Donovan& Molly SJ Lowe

As distorções criadas por glitches formam a base do processo de criação de “Between the Lines”, construindo um cenário que evidencia a beleza da imperfeição em silhuetas e texturas, numa paleta minimal, nada daquele RGB oitentista dos glitches de vídeos que costumamos ver por aí.

©Morgan O’Donovan & Molly SJ Lowe

Novas técnicas e tecnologias

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©Morgan O’Donovan & Molly SJ Lowe

Novas técnicas e tecnologias incluindo tecidos em poliuretano (PU) pintados à mão com modelagem 3D da estampa através de injeção, além de finos tecidos Mylar expansíveis, cortados a laser, estudo criado em colaboração com o arquiteto Phillip Beesley.

Calçados

Com solado em cobre, em design concretista, os sapatos do desfile foram exclusivamente desenvolvidos com conceito criado em parceria com a designer de calçados Carolin Holzhuber. 

Reparem no gap entre o salto e a plataforma: mais uma referência à falha do sistema ao qual estamos expostos. E se analisarmos a altura proposta para os pisantes, a considerar a altura da queda de quem não estiver consciente dos erros contidos na Matrix.

Mind the gap!

©Reprodução.

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Ficha técnica de Between the Lines:

Styling: Patti Wilson
Casting: Maida Boina
Make-up: M.A.C. Pro Team
Hair: Martin Cullen
Music: Salvador Breed
including track 'The Statue' by Machinedrum
Collaborating artist: Philip Beesley
Creative consultant: Jerry Stafford
Collaborating installation artist: Esther Stocker
Shoes in collaboration with Carolin Holzhuber
Press release: Eugene Rabkin & Jerry Stafford
Show direction: Kim Vos & Michelle den Hollander | Bdifferent
Show production: SixUp Paris | N6
Light design: Stefan Prokop & Pol van Veen | Jurlights
Video registration: Fabrice Daville | Premices Films
Backstage video: Ryan McDaniels
Frontstage photography: Team Peter Stigter
Backstage photography: Morgan O'Donovan & Molly SJ Lowe
Special Thanks to:
Fédération Française de la Couture
Warren Du Preez & Nick Thornton Jones
Illustration booklet | Alla Polozenko
Davy Hezemans | Spice PR
Debby van Geffen

UMA WEARABLE EMPODERADORA

E se a tecnologia e o design pudessem nos ajudar a continuar nos movimentando e participando física, social e emocionalmente dos acontecimentos mundo afora, mesmo depois dos 80, 90 anos?

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Com previsão de lançamento comercial em 2018, a Aura Powered Clothing™ foi anunciada como uma importante inovação em wearables, destinada às pessoas com idade avançada.

Até o momento, o design esteve a serviço desse público apenas com o intuito de tornar as atividades domésticas mais simples, resumindo-se aos cuidados dentro de casa. O objetivo da Superflex – uma start-up nascida no Robotics Lab do Stanford Research Institute, em Palo Alto -, ao criar a wearable Aura, era tornar mais fácil e possível a vida das pessoas idosas também ao ar livre, promovendo mais autonomia e liberdade de movimento.

Assim, em parceria com o Fuseproject – uma espécie de hub multidisciplinar com sede em NY e San Francisco, fundado por Yves Béhar -, foi possível desenvolver um design que “empoderasse” de certa forma esse público, habilitando-o novamente a conduzir atividades antes restritas pela limitação física, causada pela perda de massa muscular com o passar dos anos. O resultado é uma underwear desenvolvida para ser vestida debaixo das roupas comuns, fortalecendo a estrutura muscular dos usuários.

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No que consiste a tecnologia associada à Aura

Apresentada pela primeira vez na mostra New Old, de 12 a 17 de janeiro de 2017, no London Design Museum, a wearable Aura Powered Clothing™ explora o potencial do design aplicado à melhoria das experiências da nossa vida com idade avançada, atuando na dificuldade de movimento causado pela fraqueza muscular, perda de equilíbrio e coordenação.

Com motores, sensores e inteligência artificial incorporados a um tecido leve e flexível, a wearable oferece ao usuário suporte para o tronco, quadris e pernas. A peça reage ao movimento natural do corpo, acrescentando energia muscular para completar naturalmente a força de levantar-se, sentar-se e permanecer de pé.

A Aura Powered Clothing™ aumenta a habilidade de movimento do usuário e, segundo o Fuseproject, a tendência é melhorar cada vez mais a força muscular, o equilíbrio e a coordenação do indivíduo, já que a própria movimentação em si promove o desenvolvimento e manutenção dos músculos.

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Usando a biomimética, uma área da ciência que emula os padrões e estratégias da natureza, a configuração da peça é alinhada anatomicamente com a composição muscular de quem a usa. Com o máximo de conforto, a porção hardware de Aura é composta por motores, baterias e placas projetadas em pods hexagonais.

Esses pods são anexados a envelopes de tecido, que permite um movimento em três dimensões, possibilitando a expansão, contração e outros movimentos aleatórios do usuário. Isso ativa um sistema modular e escalável, que se adapta a diferentes necessidades musculares. Além disso, os pods podem ser removidos para a limpeza da peça.

Conforto, performance e estilo

Segundo os desenvolvedores, enquanto a tecnologia dentro dos pods é complexa, o tecido em si foi pensado para garantir funcionalidade à Aura. Para que ela consiga dar suporte aos movimentos do usuário, o tecido teria de ser forçosamente aderente e confortável ao mesmo tempo.

Por isso, na construção do próprio tecido existe uma faixa em V que se ajusta ao corpo e maximiza a ergonomia e suporte lombar. Enquanto o modelo apresentado na mostra New Old destaca a mecânica das conexões na peça – que em si já é super bonito – a wearable chegará ao mercado com esses elementos ainda mais integrados. O resultado, como afirmam os idealizadores, será uma peça ainda mais elegante, “escondendo” a tecnologia e a inteligência inerentes a ela. Garantindo o fator moda que pede o mercado, para se comercializar eficazmente as wearables.

Por trás da categoria “Powered Clothing” conduzida pela Superflex, além da inovação e facilidade de limpeza, estão a vestibilidade e acessibilidade no preço final, ainda não revelado. Também o compromisso de se desenvolver uma peça estilosa, ajudando a desestigmatizar um público associado a produtos de moda nada atrativos.

Sem limites

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Parte do processo de envelhecimento natural do corpo humano é a redução progressiva da nossa força física devido a uma significativa perda muscular (em termos de massa, força e qualidade do músculo), culminando na redução da nossa capacidade de realizar tarefas cotidianas.

Clinicamente, é possível perceber essa redução de força a partir dos 60 anos, com indivíduos saudáveis entre 70 e 80 anos apresentando perda de força física entre 20% e 40%. A massa muscular humana corresponde a 40% até 50% do nosso peso corporal total, por isso, a redução gradativa no tamanho e fibras musculares com a idade é considerada um dos principais limitadores de uma boa qualidade de vida para as pessoas que estão envelhecendo.

E já que estamos vivendo mais, por que não uma wearable para nos ajudar a viver melhor?