PROJETO JACQUARD: GOOGLE E LEVI’S LANÇAM WEARABLE TECH JEANS

Agora é sério: parceria entre Google e Levi’s numa wearable tech jeans , dentro do Projeto Jacquard, já tem data de lançamento.

2017 é o deadline para a jaqueta inteligente, batizada de Levi’s® Commuter™ Trucker Jacket, aterrissar no mercado. Desenhada para ciclistas urbanos, a peça possui a tal tecnologia Jacquard Google, integrada.

Mas o que é o Projeto Jacquard?

Se você ainda não ouviu falar do Projeto Jacquard do Google, vem cá se atualizar.

Trata-se de uma tecnologia que possibilita a integração de sistemas interativos de gestos e toques em qualquer tipo de tecido, usando teares industriais.

Objetos, roupas, móveis, enfim, qualquer tipo de superfície que tenha tecido pode agora ser transformada num dispositivo interativo. Massa, né? Lembra-se do LilyPad Arduino? A ideia do que é o Projeto Jacquard pode ser comparada a uma evolução daquele pensamento.

Como funciona

Para reduzir ao máximo a quantidade de “traquitanas” que uma wearable deveria ter de carregar para realizar suas sinapses eletrônicas inteligentes, os fios teriam de ser condutivos.

A estrutura do fio do Jacquard possui uma combinação de estruturas metálicas finíssimos com fibras naturais ou sintéticas, como algodão, poliéster ou seda, proporcionando tenacidade suficiente para que o fio possa ser tecido em qualquer tipo de tear industrial.

O resultado é um tecido esteticamente idêntico aos encontrados no mercado, with lasers, porém :)

A estrutura do Jacquard é o que faz com que uma peça comum torne-se uma wearable, nesse caso com tecnologia sensível a movimentos e toques. Com a parceria firmada com a Levi’s o feeling é esse, abaixo <3

Parada para a digressão, sim.

Lendo a respeito da nova mostra do Metropolitan Museum de NY, Manus Machina – Moda na era da tecnologia, tive várias surpresas interessantes, que vou contar no meu próximo artigo na Revista F. (previsão de lançamento para julho/agosto 2016).

Andrew Bolton, curador da mostra, decidiu não disponibilizar nenhuma wearable tech em Manus Machina pois, segundo a sua concepção, tratam-se, na maioria das vezes, de geringonças desprovidas de qualidade estética, da qual a moda está diretamente ligada.

Curiosamente, um vestido da coleção “Before Minus Now” (SS 2000), assinada por Hussein Chalayan, todo realizado em fibra de vidro e operado por controle remoto, revelando um leve tule em baixo da sua saia, encontra-se na mostra. Opa!

Não vou entrar em detalhes pois discuto o assunto melhor no artigo que vem por aí. A questão é que Google e Levis apresentaram para a mídia uma peça perfeita em termos estéticos e tecnológicos. Confira:

Mais detalhes

As áreas sensíveis e inteligentes podem ser localizadas na peça onde o estilista desejar.  Ainda, existe a possibilidade de criar grandes áreas interativas na superfície da peça, costurando um grid de sensores.

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Tudo foi engenhosamente desenvolvido para que a tecnologia fosse o mais discreta possível. Os fios condutores são anexados a circuitos pequenos como um botão. Essas mini-inteligências – como o Chip Curie ou o Lilypad Arduino – entendem o toque ou gestos, através de algoritmos inteligentes.

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As informações de toques ou gestos são capturados e transmitidos via wireless para smartphones ou outros dispositivos, controlando diversas funções, com conectar o usuário a serviços online, apps, ou funcionalidades do próprio telefone.

Com LEDs, haptics e outros tipos de outputs incorporados à peça oferecem sinais para o usuário – sim, agora seremos “usuários”também das nossas peças de roupa – integrando-o ao universo digital.

Ciborgues-fashion ou o quê? ;)

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UM OUTRO NÍVEL DE IMPRESSÃO DIGITAL EM TECIDOS

Já falei sobre o poder e a beleza do código computacional outras vezes, resultando numa nova estética que realmente é a cara do novo milênio na arte, na moda, na arquitetura e no design. Hoje esbarrei nesse link que segue.

Uma colaboração entre a marca Print All Over Me, o Studio SOSO e a Processing Foundation, coloca à disposição do consumidor peças de roupa com prints criados de forma generativa. Todo um outro nível de impressão digital.

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+ Conheça os primórdios da impressão digital aqui.

Através de um software baseado em Processing, criado pela artista LIA, verdadeiras obras de arte podem ser impressas nos tecidos. E de forma randômica, o que significa que uma peça nunca vai ser igual a outra.

Bacana é que 30% do valor de cada peça retorna à Processing Foundation, para continuar a oferecer a qualquer pessoa (sim, designer de moda, pode ser você também) com interesse em aprender programação e derivar produtos do tipo, o acesso gratuito à sua plataforma.

Vem ver que bacana, teste sua criatividade clicando aqui.

Outra parceria entre o Studio SOSO e a PAOM é o PixelWeaver, um app que baseia a imagem a ser impressa de acordo com o resultado de sua busca no Google. Você pode criar um print baseado na palavra “Obama”, “Itália”, ou, sei lá, “Jack Russell”.

O app usa p5.js e Javascript, manipulando “fatias” de cada resultado para produzir as texturas visuais. O produto final pode ainda ser calibrado pelo usuário, resultando em delicadas linhas ou, ao contrário, grandes blocos gráficos.

Sabe como é, eu não vejo estilistas fazendo moda no futuro sem entender de programação, para misturar novos skills e propostas à costura tradicional. E não vale dizer que já “mexe” com Corel ou Photoshop, heim? ;)

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Todos os gifs via The Creators Project. 

WEARABLE INTERATIVA

Caress of the Gaze é o nome do projeto de Behnaz Farahi, uma wearable interativa em formato de poncho, que responde aos olhares alheios como uma vida inteligente.

Uma super câmera localizada debaixo da sua estrutura trackeia o observador e é capaz de identificar sua idade e gênero, o que irá determinar a forma como a peça reage. Confira:

Behnaz Farahi é arquiteta e designer interativa, exploradora do potencial de interatividade dos ambientes e da sua relação com o corpo humano. Tem interesse particular na implementação de novas tecnologias na arte e arquitetura contemporâneas. Seu objetivo é melhorar a relação dos seres humanos com seu ambiente e a sua área de estudo e aplicação inclui, além da arquitetura e design, também a moda.

ITÁLIA X HOLANDA

Muita gente me pergunta o que estou fazendo na Itália. Bom, basicamente, a mesma coisa que as pessoas fazem em seus respectivos países e não se dão conta do seu papel ali: vivendo.

E trabalhando tanto, diga-se, digna de um burnout, coisa que nada me orgulha, já que a conversão da moeda não me favorece em nadaMas esse palavrório sem sentido é para introduzir, na verdade, o link que esbarrei hoje e que endossa nossa vontade (minha, do marido e do Galileo, rs) de seguir em frente e viver a experiência de morar em outros países. Caso seja possível (tomara), bem entendido.

A meta é a Holanda e há muito tempo planejamos isso. Todos os países têm seus problemas, não tenho dúvidas de que por lá tenham muitos, também. No entanto, a balança segue positiva para os Países Baixos. E sempre prensei que se trata de um povo arejado, forward thinking, capisce? Desde que estivemos em Rotterdam e Amsterdam, em 2007.

Um país que é berço de nomes como Iris Van Herpen, Anouk Wipprecht, Bart Hess e muitos outros, que são a vanguarda da moda tecnológica em todo o mundo, me desperta grande afeto. Me encanta saber que o governo investe pesado na indústria criativa, integrando e facilitando os estudos da moda e da tecnologia de diversas formas.

Mas e o link?! O link é a notícia de que a ministra da cultura e educação da Holanda, Jet Bussemaker, vestiu uma peça hi-tech dos pesquisadores da Technical University de Eindhoven,  durante o discurso do rei Willem-Alexander para o trono, em 2015.

Coordenado por Pauline van Dogen, o time de pesquisadores desenvolveu um look que incluía um par de sapatos e uma bolsa impressos em 3D, um vestido baseado em silk e escaneamento 3D e um chapéu reflexivo e semi-transparente. O vídeo está em holandês. Eu não entendo nada da língua e vi mesmo assim. Caso você tenha interesse sobre o assunto, convido a assistir também.

 

A breath of fresh air, do fato da ministra usar a proposta e ela mesmo em si, indeed. ;)

I LOVE(D) YOU • MELISSA + SEBASTIAN ERRAZURIZ

A Melissa é uma das marcas brasileiras de moda que mais fez parcerias com designers, artistas e arquitetos, na sua história. E muitas vezes essas colaborações acontecem primeiro no campo das artes para depois suas ideias migrarem para os seus calçados, de fato. Dou um exemplo: Sebastian Errazuriz.

Em 2013, a marca comissionou o artista chileno na feira de Design de Miami, na série 12 shoes for 12 lovers, uma compilação de características baseadas em suas ex-namoradas e transformadas em… sapatos. As peças foram impressas numa MakerBot Replicator 2X Experimental 3D Printer. Eis algumas delas:

Imagens © Reprodução

Agora, em 2015, dois modelos da obra foram selecionados e disponibilizados como parte da coleção Melissa Wanna be Carioca. “The Boss” é uma homenagem à uma ex-namorada poderosa e feminista, por isso traz um soco inglês na sua sola. Já “Gold Digger” fala sobre uma ex super interesseira e, de forma fun, o salto do calçado vem em formato de Atlas, condenado por Zeus a segurar o universo.

Imagens ©Reprodução