SERÁ O PRÓXIMO ZEITGEIST (OU JÁ ESTÁ SENDO) OS ANOS 2000?

Daisy, Daisy / Give me your answer, do.

Um movimento persistente, observado por quem estuda tendências de consumo e comportamento, é o de rejeição ou repulsa de uma época pela sua geração exatamente anterior. E afinidade, digamos, por aproximadamente 20 anos antes.

Outra observância interessante nesse universo é que a primeira metade de um decênio se parece muito – esteticamente falando e principalmente na moda -, com a segunda metade do precedente, ainda que a gente não queira. É como pegar uma foto nossa em 2000 e compará-la com uma de 2010: a primeira vai se parecer muito mais com a gente nos mid nineties do que efetivamente com aquela de 2010.

Ciência bem longe de ser exata.

Ao contrário, papo ótimo para o povo de humanas fazer miçanga enquanto toma uma cerveja no bar. Mas nem por isso tais insights deveriam deixar de ser considerados, atenção. Ainda que falar de tendências de moda não faça mais sentido, enquanto houver capitalismo como sistema econômico vigente, o mercado quer saber sim o que as pessoas vão querer ouvir, ver, sentir, comer ou falar sobre. Consumir, afinal.

E aí, nessa matemática imprecisa, fica fácil dizer que estamos nos aproximando de um momento onde a nostalgia nos levará a querer novamente viver os anos 2000. Não acredita?

2001

Aparentemente, #Greenery também era a 
"cor do ano" de 2001. 

Os 90 estão no ar há uns dois anos e devem sair de cena ali na esquina de 2020. Mas arrisco dizer que os anos 2000 fazem um fade in desde já, em 2016/17. Eis algumas observações:

Fator Black Mirror

Não é atoa que a série Black Mirror, apesar de ter sido lançada em 2011, só foi ser sucesso em 2016. Spoiler: nossa relação com as novas tecnologias é questionada e especulada sob diversos vieses na série.

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E a figura de nós mesmos vista pela tela desligada (o tal espelho negro) não é nada boa. Como se tivéssemos tomado a pílula vermelha de The Matrix, aquele outro bom pacote de especulações possíveis sobre a nossa sociedade, dirigido pelas irmãs Wachowski (isso mesmo, irmãs, se é que você ainda não sabe que são transgêneros). Drink bebido direto da fonte de Baudrillard.

E em qual ano mesmo foi lançado The Matrix? Em 1999, com vários prêmios pela Academia em 2000.

Ata.

Bug do milênio e hacktivismo estilo Anonymous. Será que esses hot topics do começo dos anos 2000 foram fatores para que, nesse zeitgeist sobre o qual pensamos agora, seja o motivo por termos consumido vorazmente as duas temporadas de Mr. Robot? Me diga você.

E para o climão hipernormativo que vivemos, Hypernormalisation, do inglês Adam Curtis, é um tem-de-ver-por-que-sim. Ajuda a entender muito as coisas por aqui e o que vem por aí. Segue a esteira das “verdades inconvenientes” o documentário de Leonardo Di Caprio, Before the Flood (2016), lembrando aquele de Al Gore, 10 anos antes. Vai lá.

Uma segunda chance para o Second Life

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Metalinguagem

Se Realidade Aumentada (AR), Realidade Virtual (VR) e imersão são as novas palavras de ordem no universo da tecnologia, games sub aproveitados como Second Life, febre do início dos anos 2000, poderão ganhar nova oportunidade de explodir num ambiente com Óculus Rift e seus pares, smartphones poderosos e internet banda larga, realmente rápida.

E nem foi atoa que a equipe de criadores de Second Life lançou o Projeto Sansar. Um novo espaço online para empresas e indivíduos experimentarem ambientes virtuais imersivos. Disponível ainda no começo de 2017. Gamificar tudo agora faz realmente sentido.

Her

De novo lembrando 2001, Uma Odisseia no Espaço de Kubrick, a Inteligência Artificial (IA) de Hal 9000 é emblemática e parece ter servido de inspiração para Spielberg no seu filme I.A., coincidentemente (?) lançado em 2001: mais uma vez a inteligência das máquinas era vista como uma coisa ruim. Eu, particularmente, acho essa ideia no mínimo vintage.

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Fiz download da última versão possível do IOS para que Siri, a inteligência artificial da Apple, conversasse comigo. Sim, nesse grau de loucura. Achei interessante. Porém, trata-se de uma experiência ainda pueril. Ela acha uns arquivos lá e tudo mais… mas dona Siri, a senhora ainda tem um mato alto pra roçar.

O novo escapismo ou eram nossos filhos astronautas?

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A visão de que dentro de 15-20 anos poderemos finalmente povoar Marte, tem feito com que nomes como Carl Sagan venham à tona no mainstream e tornem-se filosofia pop, que mães incentivem em massa os seus filhos a se tornarem astronautas, que muitas imagens do Cosmos circulem pela internet e as que as pessoas comecem (será?) a olhar para o céu.

Todos os filmes e séries com a “pegada” científica têm sido hot ticket. Começou com Interstellar, passando por The Martian, Moon, para citar os bons. Porque dos ruins a lista é grande.

E eu, se quero estar na trip para Marte? Certeza.

Gilmore Girls e não só

Estão curtindo a volta Gilmore Girls? That’s 2000’s Show, queridos. Mais um sinal dos tempos de que estamos querendo o começo do novo milênio de volta. Claro, com um bom tempero feminista, como tem de ser.

Fiz um resumo muito rápido do que podem ser pistas de um 2000 aterrissando no seu terreno. Antecipando coisas para que depois vocês, na moda, não comecem a usar uns trecos de gosto duvidoso, tipo essa proposta de Christopher Kane para Crocs, no seu SS/17.

Crocs, empresa essa que, aliás, foi criada em 2002.

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Can Crocs ever be cool? Not at this house, babe. 

Disso, fuja enquanto é tempo.

;)

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